Nota de Apoio e Solidariedade aos Povos e Movimentos do Baixo Tapajós
A Juventude Franciscana do Brasil (JUFRA do Brasil), inspirada pelo testemunho de São Francisco de Assis e pelo chamado ao cuidado da Casa Comum, manifesta seu apoio e sua solidariedade às ocupações protagonizadas pelos movimentos indígenas e ambientais da região do Baixo Tapajós, em Santarém (PA).
Desde o dia 22 de janeiro, esses povos e organizações erguem um grito profético em defesa das águas, das florestas e da vida, diante da assinatura do Decreto nº 12.600/2025, que autoriza a privatização dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins. Para nós, franciscanos e franciscanas, a água não é mercadoria: é dom de Deus, bem comum, irmã que sustenta toda a criação e garante a vida dos povos.
Em um contexto de grave colapso socioambiental, causa profunda indignação que o Estado brasileiro escolha atender aos interesses do agronegócio e das grandes multinacionais, responsáveis pela devastação ambiental, pela violação dos direitos dos povos originários e pela destruição de territórios tradicionais. Sob o falso discurso do “desenvolvimento”, o Decreto 12.600 entrega rios vivos — preservados e cuidados historicamente pelas populações locais — à lógica do lucro, transformando mais de 3 mil quilômetros de rios amazônicos em corredores de exportação de commodities para o mercado internacional.
Esse modelo de “progresso” exclui, mata e silencia. Beneficia poucos, enquanto ameaça o modo de vida dos povos indígenas e ribeirinhos, aprofunda a exploração dos trabalhadores, destrói a fauna e a flora e compromete o equilíbrio ambiental que sustenta toda a sociedade. Como nos recorda a Laudato Si’, tudo está interligado, e não há justiça social sem justiça ambiental.
Repudiamos também a resposta repressiva do Estado às mobilizações legítimas. Em vez do diálogo e da escuta dos povos da floresta, autorizou-se o uso da força policial para tentar calar vozes que defendem a vida. A criminalização da luta socioambiental fere a democracia e contradiz qualquer compromisso real com a justiça e a paz.
Como Juventude Franciscana, reafirmamos nosso compromisso com uma ecologia integral, popular e solidária. Caminhamos ao lado dos povos indígenas e dos movimentos ambientais que defendem as águas, as terras e a vida em abundância.
Exigimos a revogação imediata do Decreto nº 12.600/2025.
Defendemos a gestão coletiva, popular e ecológica das águas e dos territórios.
Reafirmamos que nenhum trecho de rio deve servir ao agronegócio em detrimento da vida.
Que o Espírito da Paz, fruto da Justiça, que soprou sobre São Francisco, nos fortaleça na luta, na esperança e na construção de um mundo onde todas as criaturas possam viver com dignidade.
Juventude Franciscana do Brasil – JUFRA do Brasil
Cuidar da Casa Comum é defender a vida.
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