CARTA DE APARECIDA

“ Ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres. ” LS,49 

   


A Confer√™ncia da Fam√≠lia Franciscana do Brasil, celebrando o Capitulo Nacional das Esteiras, consciente de sua miss√£o de “levar ao mundo a miseric√≥rdia de Deus”, dirige-se a todas as pessoas de boa vontade: √†quelas que continuam acreditando em um mundo de justi√ßa e fraternidade e √†quelas que, em meio √†s contradi√ß√Ķes e crueldades de nosso tempo, vivem a dor da desilus√£o e da falta de esperan√ßa.
As partilhas realizadas nesses dias nos levam a afirmar: vivemos um verdadeiro Pentecostes. Neste sentido, o Capítulo nos chamou a um revigoramento do Carisma e nos levou a fazer memória da herança, da inspiração originária que deu início ao movimento franciscano. A experiência das esteiras nos leva a retomar nossa vocação enquanto peregrinos e forasteiros.
As bases nas quais foram construídas a nossa história estão marcadas pelo sangue dos pobres e pequenos, indígenas, mulheres e jovens negros, por um extrativismo desmedido e destruidor, por uma economia que exclui a maioria, por destruição de povos, culturas e da natureza. À luz do nosso carisma, compreendemos que se faz necessário construir um novo horizonte utópico que nos comprometa com a construção de um projeto de país com justiça e paz em respeito à integridade da criação.
Somos sens√≠veis ao grito dos empobrecidos e da M√£e Terra! √Č preciso agir com miseric√≥rdia para com eles e, com indigna√ß√£o diante desse sistema que exclui, empobrece e maltrata, e convocarmos a todos para se unirem √† luta que hoje assumimos juntos: participar da reconstru√ß√£o da Igreja com o Papa Francisco e reconstruir o Brasil em ru√≠nas.
√Č chegado o momento de recolhermos nossas esteiras e as lan√ßarmos sobre o ch√£o das periferias do mundo, transformando continuamente nossa maneira de Ser, Estar e Consumir em reposta aos apelos do Papa Francisco.
A realidade ecol√≥gica e s√≥cio-pol√≠tica-econ√īmica do nosso pa√≠s nos exige compromisso prof√©tico de den√ļncia e an√ļncio.  Assistimos, tomados de ira sagrada, √† viola√ß√£o dos direitos conquistados, atrav√©s de muitos esfor√ßos, empenhos e articula√ß√£o pelo povo brasileiro. Por isso, n√£o podemos deixar de nos empenhar junto aos movimentos sociais na luta “por nenhum direito a menos”, contra golpes, reformas retr√≥gadas e abusivas conduzidas por um governo ileg√≠timo, um parlamento divorciado dos interesses da popula√ß√£o e  uma justi√ßa que tem se revelado fora dos par√Ęmetros da equidade “que no lugar de fortalecer o papel do Estado para atender √†s necessidade e os direitos do mais fragilizados, favorece os interesses do grande capital”¹.
Dessa Cidade de Aparecida, Nossa Senhora, Padroeira do Brasil, resgatada das √°guas de um rio, hoje polu√≠do e degradado, nos faz eleger dentre os diversos apelos um compromisso particular com a Irm√£ √Āgua. Deste modo, nos empenharemos na constru√ß√£o de um processo de reflex√£o e a√ß√£o em defesa da √°gua como bem comum, que se dar√° atrav√©s da participa√ß√£o da fam√≠lia em jornadas, f√≥runs e nas iniciativas de fortalecimento dos trabalhos ligados √† promo√ß√£o da Justi√ßa e da Integridade da Cria√ß√£o.
Tudo isso acontece, irm√£s e irm√£os, porque S√£o Francisco nos ensinou que nos momentos mais dif√≠ceis de nossas vidas devemos voltar √† Casa da M√£e. Ele e seus irm√£os voltavam, com frequ√™ncia, √† pequena igreja de Santa Maria dos Anjos, a Porci√ļncula. N√≥s voltamos ao Santu√°rio de Nossa Senhora Aparecida, neste 300 anos de caminhada com os pequenos desta terra.
“√ďh M√£e preta, √≥h Mariama, Claro que dir√£o, Mariama, que √© pol√≠tica, que √© subvers√£o, que √© comunismo. √Č Evangelho de Cristo, Mariama!”, ainda assim, invocamos suas b√™n√ß√£os sobre toda a nossa fam√≠lia e sobre um Brasil sedento de “Paz – fruto da justi√ßa, do bem e da Miseric√≥rdia de Deus”.
 
Conferência da Família Franciscana do Brasil РCFFB
06 de agosto de 2017

Fonte: http://ffb.org.br/carta-de-aparecida.html

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