DOCUMENTOS REVELADOS: JUFRA FOI INVESTIGADA PELA DITADURA MILITAR

Recentemente ficamos sabendo que a JUFRA foi objeto de investiga√ß√£o na √©poca da Ditadura Militar de 1964, isto gra√ßas √†s revela√ß√Ķes das investiga√ß√Ķes impetradas ap√≥s a instala√ß√£o da Comiss√£o Nacional da Verdade.

A Comiss√£o Nacional da Verdade foi institu√≠da em 16 de maio de 2012, viabilizada pela lei N¬ļ 12.528, de 18 de novembro de 2011. Tem a finalidade de examinar e esclarecer as graves viola√ß√Ķes de direitos humanos praticadas entre 18 de setembro de 1946 e 05 de outubro de 1988. V√°rios estados da Federa√ß√£o tamb√©m institu√≠ram Comiss√Ķes Estaduais propondo-se em efetivar o direito √† mem√≥ria e √† verdade hist√≥rica e promover a reconcilia√ß√£o nacional.
                                                                                              
Al√©m da realiza√ß√£o de audi√™ncias p√ļblicas para tomada de informa√ß√Ķes, depoimentos e publica√ß√£o de relat√≥rios, as Comiss√Ķes tamb√©m utilizam a Lei de Acesso √† Informa√ß√£o (Lei n¬ļ 12.527 sancionada pela Presidenta da Rep√ļblica em 18 de novembro de 2011), que afirma em seu Artigo 21, Par√°grafo √ļnico: “As informa√ß√Ķes ou documentos que versem sobre condutas que impliquem viola√ß√£o dos direitos humanos praticada por agentes p√ļblicos ou a mando de autoridades p√ļblicas n√£o poder√£o ser objeto de restri√ß√£o de acesso.”.

A partir deste aparato legal v√°rios Estados iniciaram ent√£o a digitaliza√ß√£o e publica√ß√£o digital dos arquivos relacionados √† viola√ß√£o de direitos humanos no per√≠odo ditatorial. S√≥ no Estado de S√£o Paulo j√° foram digitalizadas cerca de um milh√£o de p√°ginas de documenta√ß√£o do extinto Departamento Estadual de Ordem Pol√≠tica e Social de S√£o Paulo (Deops) que, al√©m de trazer conhecimento ao p√ļblico, para fins hist√≥ricos e de pesquisa, tamb√©m v√£o facilitar o trabalho de repara√ß√£o da Comiss√£o de Anistia.

O site do Arquivo P√ļblico do Estado de S√£o Paulo, na p√°gina “Mem√≥ria Pol√≠tica e Resist√™ncia”, informa: “(...) √© poss√≠vel realizar a consulta de parte das fichas, prontu√°rios e dossi√™s dos acervos DEOPS/SP, DOPS/Santos e DCS. As pesquisas revelavam as pessoas e organiza√ß√Ķes que foram alvo de vigil√Ęncia desses √≥rg√£os, ou, como ficou popularmente conhecido, quem foi “fichado” pelo DEOPS.”.

O prontu√°rio de N¬ļ 002800, de 30 de maio de 1974, com o t√≠tulo de “Juventude Franciscana – JUFRA”, se refere √† investiga√ß√£o confidencial da Pol√≠cia Militar, durante a Ditadura Militar, √† Juventude Franciscana (JUFRA). O relat√≥rio cita a Juventude Franciscana de Vicente de Carvalho (JUFRA VIC) e a Juventude Franciscana da Igreja do Valongo (JUFRA Valongo).

Segundo o documento, foram realizadas investiga√ß√Ķes na cidade de Santos-SP, pelo investigador Sebasti√£o de Paula, encaminhada a Jos√© Aur√©lio Cardoso, delegado do DOPS. O documento de investiga√ß√£o possui 122 p√°ginas, com vasta quantidade de anexos com os materiais de organiza√ß√£o e forma√ß√£o da JUFRA do Brasil √† √©poca, como a edi√ß√£o dos Documentos B√°sicos (1973), Esquema Funcional, Manifesto da Juventude Franciscana, Organogramas de Hierarquias da JUFRA, Fluxograma de Implanta√ß√£o dos N√ļcleos da JUFRA, Organograma de Agendas da JUFRA, Cartilha de Treinamentos e Tiroc√≠nios da JUFRA e Endere√ßos de Equipes-Pilotos da JUFRA do Brasil.

O documento tamb√©m cita a realiza√ß√£o de reuni√Ķes da JUFRA em Santos-SP e a prepara√ß√£o de uma grande concentra√ß√£o em Santo Andr√©-SP, articulada com a JUFRA daquela cidade.

O material cont√©m nome e endere√ßo do Secret√°rio Executivo Regional da JUFRA da 8¬™ Regi√£o (S√£o Paulo, Mato Grosso e Territ√≥rio de Rond√īnia) da √©poca, Ozias Ferreira Siqueira, tamb√©m fichado, sob prontu√°rio de N¬ļ 10.717, e da Secret√°ria Nacional da JUFRA, Maria de Lourdes de Paula, residente em Ponta Grossa-PR.

V√°rios trechos da documenta√ß√£o chamam aten√ß√£o pelo teor do relat√≥rio, como esta afirma√ß√£o em rela√ß√£o √† JUFRA: “(...) √© interessante que as atividades da organiza√ß√£o passem a ser acompanhadas, pois dada a sua estrutura e poder de envolvimento psicol√≥gico do jovem, pode tornar-se perigoso instrumento de atividades subversivas no futuro, como ocorreu com v√°rias organiza√ß√Ķes, entre as quais a AP (sic A√ß√£o Popular), que inicialmente tinham finalidades salutares, mas que depois tornaram-se fac√ß√Ķes de cunho esquerdista.”.

A investigação confidencial concluiu que: "(...) julga-se conveniente a observação das atividades da JUFRA na área, bem como contribuir-se para o não incentivo ao ingresso de jovens nessa organização...".

O prontuário policial com toda a documentação pode ser conferido neste link: http://www.arquivoestado.sp.gov.br/upload/Deops/Prontuarios/BR_SP_APESP_DEOPS_SAN_P002800_01.pdf

Emanuelson Matias de Lima (Elson)
Subsecretário Nacional de Ação Evangelizadora da JUFRA do Brasil
Assessor Nacional de Arquivo e Memória da JUFRA do Brasil

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