PENTECOSTES: A nós descei divina luz!

Aprofundando os textos bíblicos:
Reinício do Tempo Comum com a 7ª. Semana, dedicando-se a uma leitura contínua do Evangelho de Lucas.

Atos 2,1-11; Salmo 104(103); 1 Cor√≠ntios 12,3b-7.12-13; Jo√£o 20,19-23 

Para o povo de Israel, Pentecostes era inicialmente a festa ligada √†s colheitas e, mais tarde, a entrega da Palavra, a celebra√ß√£o da Alian√ßa, feita no Sinai, que acontecia cinq√ľenta dias depois da P√°scoa.


Nos primeiros s√©culos do cristianismo, Pentecostes n√£o era apenas um dia, mas os cinq√ľenta dias do tempo pascal, que tinham no √ļltimo dia o seu encerramento. Havia, portanto, grande unidade entre P√°scoa e Pentecostes.

A partir do século IV rompeu-se essa unidade e Pentecostes passou a ser uma festa distinta da Páscoa. A renovação do Vaticano II resgatou a unidade perdida, propondo que Pentecostes seja o encerramento da festa pascal. Hoje, lembramos então, o dia em que, o mistério pascal atingiu a sua plena realização no dom do Espírito Santo derramado sobre a Igreja.

A Palavra de Deus que hoje nos foi anunciada no evangelho de Jo√£o, o dom do Esp√≠rito Santo, prometido e entregue, √© conseq√ľ√™ncia da glorifica√ß√£o de Jesus. √Č o primeiro dia da semana e os disc√≠pulos temem a persegui√ß√£o devido a sua rela√ß√£o com Jesus assassinado pelo sistema. A sauda√ß√£o da paz pascal, “shalom= abund√Ęncia de bens para meu povo” faz vencer o medo, √© o cumprimento da promessa. (Is 51,3.11; 52,7; 60,17; 66,12; Sl 35,9); a d√ļvida e o des√Ęnimo desaparecem com a identifica√ß√£o do “lado transpassado e das m√£os feridas”. √Č dia do Senhor Ressuscitado, presente no meio da comunidade, dia da reconcilia√ß√£o e da mem√≥ria da paix√£o e do dom do Esp√≠rito.

O gesto de soprar recorda a criação da humanidade em Gênesis e a ressurreição dos mortos que lemos em Ezequiel 37. O vento evoca o sopro de Deus, que nos cria e nos faz ser gente. O fogo está presente desde o Antigo Testamento na sarça ardente da vocação de Moisés, na coluna de fogo que acompanhava o povo no deserto...

A leitura do livro dos Atos traz um sinal novo: os/as seguidoras/es de Jesus falam e cada um ouve na sua língua de origem! O Espírito de Deus não é mais restrito ao povo judeu, é para todos os povos que não entendem o idioma que Pedro fala, mas cada um entende do seu jeito. Ninguém é estrangeiro nessa comunidade; todos são compreendidos, compreendem e vivem plenamente.

A segunda leitura nos diz que há diferentes dons, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. Não se trata apenas de qualidades naturais de cada um, nem de esforço puramente humano, mas têm sua origem em Deus Trinitário. A busca da unidade não promove a uniformidade, mas respeita as diferenças. Deus Criador faz cada pessoa de modo inteiramente original. Da mesma forma, um dom pode ser diferente de outro, sem ser melhor nem pior. Carismas, ministérios e atividades procedem de Deus Pai, do Espírito Santo, e do Senhor Jesus: muitos membros, cada um com uma função, todos importantes, todos voltados para o bem do conjunto, respeitando a diversidade.

Atualizando:
Alegrar-se com a diversidade pode ser uma forma de louvar a Sabedoria Criadora, inesgot√°vel na variedade que faz brotar entre n√≥s. Como parte da cria√ß√£o, a humanidade toda e todo universo, em sua variedade e diferen√ßas precisam se entender, se respeitar, conviver como pertencentes a mesma natureza criada por Deus. A humanidade em sua diversidade de l√≠nguas, povos, na√ß√Ķes, deve ser apenas a voz do universo que louva a Deus.

Pentecostes n√£o apaga as diferen√ßas, mas encurta as dist√Ęncias. Pentecostes manifesta o sinal operante do perd√£o, da unidade, da paz no mundo, na medida em que fala uma l√≠ngua que todos entendam: a linguagem da justi√ßa e do amor, linguagem de Cristo! Ser√° que o Esp√≠rito de Deus poder√°, atrav√©s de n√≥s, renovar a face da terra, ou estamos nos conformando ao que este mundo ordena?

A Palavra de Deus na celebração:
O Esp√≠rito nos tira da dispers√£o e nos re√ļne numa assembl√©ia de irm√£os, com v√°rios dons e minist√©rios para ouvir a Palavra e viver a alegria da partilha e da comunh√£o. √Č tamb√©m o Esp√≠rito Santo que transforma o p√£o e o vinho nos sinais da p√°scoa de Cristo e nos une, todos crist√£os, num s√≥ corpo, revestindo-nos da for√ßa do alto para renovarmos a face da terra. Cada celebra√ß√£o √© um novo Pentecostes.

Pentecostes é a festa da plenitude da páscoa. O espírito profético de Jesus torna-se o grande DOM da Igreja, tornando-a comunidade da proclamação e do testemunho!

Bendizemos ao Pai porque o Esp√≠rito Santo abriu e revelou a todos os povos, ra√ßas e na√ß√Ķes o mist√©rio que estava escondido desde sempre e reuniu todos na alegria da liberta√ß√£o. Somos hoje revestidos da for√ßa deste Esp√≠rito para sermos testemunhas alegres e corajosas do Cristo Ressuscitado. H√° muitos sinais de sua a√ß√£o, renovando a face da terra.


Celebramos a p√°scoa de Jesus Cristo presente em pessoas, grupos e comunidades que vivem fielmente uma alian√ßa de amor com Deus e que se entregam √† a√ß√£o vigorosa do seu Esp√≠rito. Celebramos em comunh√£o com todas as Igrejas crist√£s, com todas as religi√Ķes presentes no mundo, unindo nossa voz ao canto e ao gemido que brotam da terra e de todo o universo que anseiam pela paz.

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