Jornada na JUFRA de Foz do Iguaçu-PR


A Fraternidade de JUFRA Vem e Segue-me de Foz do Igua√ßu-PR participou da semana de Direitos Humanos deste ano organizando um encontro formativo, tendo como base a cartilha da 3¬™ Jornada de Direitos Humanos, no qual muitas quest√Ķes ligadas ao Estado foram levantadas dentre os questionamentos enfatizamos o pr√≥prio t√≠tulo do primeiro tema da cartilha: Estado pra qu√™ e pra quem?


A partir daí a discussão se voltou para o papel do Estado que no caso do Brasil se trata de uma democracia, um grupo de pessoas é eleito pelo povo pra representar a população. No entanto, uma democracia apenas representativa não garante o bom funcionamento de uma nação. Uma vez eleitos, os mesmos eleitores assumem juntamente com seus representantes o compromisso de governar para o povo. Sendo assim, se faz necessário uma democracia para a além da representatividade, uma democracia popular, participativa, que tenha o poder de deliberar o que, para quê e para quem seus representantes irão legislar.


Desta forma, nota-se que esta participa√ß√£o tem se dado, sobretudo a partir dos movimentos populares cada qual com suas peculiaridades, mas que quando se olha de forma mais panor√Ęmica se tratam todos juntos de reivindica√ß√Ķes √† grande parcela da popula√ß√£o: os trabalhadores e trabalhadoras, as mesmas pessoas que votaram nesses legisladores e executivos.

Contudo, percebe-se um descompasso entre a representatividade e participa√ß√£o na vida democr√°tica deste pa√≠s. S√£o in√ļmeros os casos em que as participa√ß√Ķes populares s√£o vistas como afronta √† ordem. O MST, um dos movimentos mais conhecidos no Brasil, assim como muitos outros, √© sem d√ļvida modelo de participa√ß√£o e conquistas, mas tamb√©m exemplo de v√≠tima de persegui√ß√£o e ataques pol√≠ticos.


O aparato Estatal cada vez mais vem ganhando a forma representativa do Estado. A seguran√ßa existe, mas n√£o √© para o povo, ao contr√°rio, √© colocada contra o povo que luta por seus direitos. A sa√ļde √© s√≥ para quem est√° em degraus maiores da pir√Ęmide social, mas ela existe. O trabalho? O discurso √© que s√≥ n√£o trabalha quem n√£o quer, mas √© gritante √° s√ļplica do povo que nas m√£os tem o desejo de conquistar o p√£o para dar aos seus filhos. E a educa√ß√£o? A educa√ß√£o √© regida de forma √† legitimar a ordem injusta e marginalizadora da sociedade.

Estado pra qu√™? Pra quem? A resposta √† essas perguntas se d√° apenas pela luta. √Č batalhando, se unido √†s v√°rias formas de organiza√ß√£o e participa√ß√£o popular que podemos dar rumo ao Estado que queremos. Muito mais que votar, √© compreendendo na pr√°tica o Brasil que temos que poderemos sonhar e lutar pelo Brasil que queremos.


Partindo destas reflex√Ķes a Jufra de Foz do Igua√ßu-PR tamb√©m organizou uma visita a um dos lugares onde se encontra grandes v√≠timas da sociedade. V√≠timas sem voz, sem vez, esquecidas por tudo e por todos. A visita se deu no Lar dos Velhinhos, um asilo filantr√≥pico da cidade. L√° conversando com os idosos e idosas, mais ouvindo do que falando, descobrimos hist√≥rias de vidas interrompidas, de vidas esquecidas, de vidas vividas e de vidas n√£o vividas, hist√≥rias de amor, hist√≥rias de dor, hist√≥rias antigas, hist√≥rias nem t√£o distantes...

Descobrimos que não é só no rosto de uma criança que encontramos a esperança. Naqueles rostos tão cansados, tão vividos... há uma esperança sábia, uma esperança pautada em grandiosas experiências que querem compartilhar e fazer eternizar em ensinamentos, em exemplos de vida para um futuro melhor.


Depois de ouvir suas histórias e conhecer um pouco da realidade saímos de lá com uma lista de pequenos mimos pedidos por eles. Não foi nem ouro, nem dinheiro, mas coisas mínimas que retornamos ao local para entregar e contribuir com um momento de felicidade: Um porta-retrato de um casal que lá vive, uma camiseta do grêmio, um jogo de baralho, bijuterias, presilhas para o cabelo e um dia de manicure para as senhoras vaidosas. Foi a alegria do Lar e da Jufra. Um pequeno gesto para contribuir com aqueles que já viveram, já lutaram e continuam sendo tão maltratados pela vida.

Assim se deram os trabalhos da Jornada de Direitos Humanos nesta fraternidade.

Fraternidade Vem e Segue-me
Foz do Iguaçu-PR

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