Domingo da Ascens√£o do Senhor

Neste domingo, a Igreja celebra a Ascensão de Jesus Cristo, segunda grande solenidade dentro do contexto pascal. Primeiramente, tivemos a celebração mesma da Ressurreição, agora, a celebração da Ascensão e, no próximo domingo, a solenidade de Pentecostes, como coroamento do tempo pascal.

Etimologicamente, a palavra ascensão é o mesmo que elevação. Já no contexto bíblico-teológico, significa glorificação. Sendo assim, como entendê-la com relação à ressurreição?

Ascensão e Ressurreição formam verdadeiramente um todo. Se bem que podemos fazer uma distinção entre ambas. Quando nos referimos ao Cristo ressuscitado, entendemos que o Pai o fez vencedor da morte, vencedor do pecado do mundo e vencedor do mal; e, ainda, diante da mentira daqueles que o crucificaram como MALDITO de Javé, o Pai afirma ser todo para o Filho, desmentindo a todos e aceitando o SIM dado pelo Filho durante toda sua vida entre nós e, especialmente, na cruz. O Pai, como queriam alguns, não amaldiçoou o Filho, mas acolheu o dom de sua pessoa encarnada e entregue na cruz como dádiva de amor e salvação para todos nós. Quanto à Ascensão, teologicamente afirmamos que é a entronização de Jesus na glória do Pai; é o recebimento do senhorio universal (diz o Credo: ele está sentado à direita de Deus Pai) e, ao mesmo tempo, é sinal da divinização da nossa natureza, pois Cristo nos torna participantes da natureza divina (cf. 2Pd 1,4).

A Ascens√£o de Jesus indica o cumprimento das promessas de Deus, uma vez que atrav√©s dele todas as na√ß√Ķes s√£o aben√ßoadas e todos os povos recebem a gra√ßa da vit√≥ria, da esperan√ßa de vida nova e da certeza da salva√ß√£o. Jesus se eleva ao Pai porque realizou dignamente a miss√£o salv√≠fica da humanidade, sendo totalmente obediente ao Pai e completamente posto a favor de todos n√≥s.

A Ascens√£o tamb√©m se relaciona com a Encarna√ß√£o do Verbo. A humanidade que pelo Verbo foi assumida na Encarna√ß√£o, com a Ascens√£o foi glorificada. Esta √© a realiza√ß√£o do objetivo daquela. Isso nos mostra como os mist√©rios de Deus s√£o interligados e devem ser vistos de modo insepar√°vel dentro do conjunto do contexto salv√≠fico. Liturgicamente falando, o Natal se realiza hoje, pois a carne fr√°gil assumida no √Ęmbito do mundo, hoje foi glorificada no √Ęmbito de Deus.

Quanto ao fato da cita√ß√£o dos quarenta dias, quer-se afirmar um tempo completo, necess√°rio para a realiza√ß√£o de um objetivo, que, neste caso, √© o cumprimento da miss√£o de Jesus. Recordamos que a Sagrada Escritura em muitos momentos faz refer√™ncia ao n√ļmero quarenta, por exemplo, os quarentas dias do dil√ļvio, os quarenta anos do povo de Deus no deserto, os quarenta dias de Mois√©s no Monte Sinai, de Elias no Monte Horeb, de Jesus no deserto, etc. A pr√≥pria Liturgia da Igreja tamb√©m usa esse n√ļmero quando vive a quaresma, objetivando a P√°scoa, e, no pr√≥prio tempo pascal at√© a celebra√ß√£o de hoje. Durante esse tempo, Jesus Ressuscitado preparou seus ap√≥stolos e os fez entender o mist√©rio de sua gl√≥ria e de sua miss√£o, que deve continuar por meio deles. Por isso, Jesus envia o seu Esp√≠rito, a fim de que Ele, agindo na Igreja, continue Cristo e seus ensinamentos presentes na Hist√≥ria.

Entendendo o mistério da ação de Jesus Cristo, os apóstolos, depois de experimentarem o medo, por causa do evento da cruz, e também a covardia diante dAquele que por eles deu a vida, agora são alimentados com a glória contagiante do Senhor. O medo, a covardia e a decepção se transformaram em encanto e desejo de participação na mesma glória do Mestre. Segundo o texto do Evangelho (Lc 24,46-53), os apóstolos saíram daquele encontro cheios de alegria. Podemos dizer que eles partiram com o ardente desejo de transformar o mundo segundo o Ressuscitado. Isso significa que neles foram fortalecidas as virtudes da fé, da esperança e da caridade. Abrasados de amor, voltados totalmente para Deus, seguiram na expectativa da segunda vinda do Senhor e da conversão do mundo.

E n√≥s, diante do mesmo Jesus Cristo glorificado, o que devemos fazer? O Papa, na homilia proferida na cidade do Porto (Portugal), dia 14 do corrente m√™s, disse: “... √© necess√°rio que vos torneis comigo testemunhas da ressurrei√ß√£o de Jesus”. E questionou: “... se n√£o fordes v√≥s as suas testemunhas no pr√≥prio ambiente, quem o ser√° em vosso lugar?” O Papa, tamb√©m ele ardendo de zelo pela miss√£o urgente da Igreja no mundo, acrescentou: “Esta √© a miss√£o inadi√°vel de cada comunidade eclesial: receber de Deus e oferecer ao mundo Cristo ressuscitado, para que todas as situa√ß√Ķes de definhamento e morte se transformem, pelo Esp√≠rito, em ocasi√Ķes de crescimento e vida”. Essas palavras do Papa certamente s√≥ podem ser seguidas por quem encontrou o verdadeiro sentido do Cristo glorificado e, tamb√©m, da alegria de lhe pertencer.
 
Fonte: R√°dio Vaticano

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