sábado, 20 de abril de 2019

Colegiado de Assistência Espiritual lança Carta Pascal à Jufra do Brasil



            Queridos irmãos e irmãs jufristas de todo o nosso Brasil,
            Que o Senhor lhes dê a sua paz!


Nestes dias a novidade despertada pelo mistério pascal toma conta da Igreja e nos envolve profundamente de modo a fazer nascer em nós uma vida renovada e alegre! O Senhor, pela boca do profeta Isaías (43,19), assim anuncia e questiona: “Eis que farei uma coisa nova, ela já vem despontando: não a percebeis?” Com toda certeza, todos nós, de alguma forma, desde que as águas de março tocaram nossos pés e refrescaram de dentro para fora o vigor da nossa juventude franciscana fomos surpreendidos pela bela novidade dos irmãos e irmãs que chegaram assumindo o serviço no Secretariado Fraterno Nacional. Também em igual modo rendemos profunda gratidão aos irmãos que se despediam de um trabalho tão admirável já realizado e das ricas partilhas de caminhada enquanto JUFRA NACIONAL.  

Quando o profeta Isaías nos pergunta sobre a habilidade de perceber as coisas novas, coloca-nos diante da importante consideração: Nada poderá se fazer novo em nós se de antemão não nos houver a sensibilidade e docilidade para sentir o suave e constante toque do mistério que a tudo faz viver em plenitude pela força da Ressurreição. A sensibilidade e a docilidade são como as janelas de uma casa: a luz do sol, embora seja intensa e envolva a casa por fora, só poderá visitar e iluminar todos os cômodos da construção, se as janelas e portas estiverem escancaradas. Volta-nos à memória o apelo forte de São João Paulo II no início de seu pontificado em 1978: “Não, não tenhais medo! Antes, procurai abrir, melhor, escancarar as portas a Cristo!” É perigoso deixar entrar ou dar o primeiro lugar de nossas vidas a qualquer outra coisa ou pessoa que não seja o Cristo! Do contrário, nascerá em nós a triste fragmentação de uma felicidade estéril e incompleta.

A atitude de ser sensível e dócil a Cristo e à sua novidade não nasce em nossa capacidade racional, nas nossas ideias, opiniões, habilidades técnicas, formação profissional ou cultural. Ser “escancarado (a) ” a Cristo é questão de coração, e sobre isto nós temos o privilégio de ter entre nós a chama viva e presente de um dos maiores peritos em humanidade e experiência do coração, depois de Jesus: o pobrezinho Francisco de Assis. Para o nosso Seráfico Pai, qualquer empenho, obra ou projeto que não nascesse do coração atingido pelo “Amor não amado”, o Pobre Crucificado, era demasiado frio e vão. Permitamos, portanto, que ele mesmo nos fale: “Inclinai o ouvido de vosso coração e obedecei à voz do Filho de Deus. Guardai em vosso coração os seus mandamentos e cumpri os seus conselhos com a mente perfeita. Proclamai-o, pois ele é bom, e exaltai-o em vossas obras; pois, com este intuito ele vos enviou por todo o mundo, para que, por palavras e obras, deis testemunho de sua voz e anuncieis a todos que não há ninguém além dele” (CO. 6-9).

No deserto do mundo, de onde poderia brotar a água que a tudo reanima? No meio das guerras declaradas ou mascaradas, de onde poderia vir a verdadeira paz? Entre os tantos semelhantes nossos engolidos pelo consumo, pela solidão, pelos emaranhados de uma vida virtualizada e distante, de onde poderia vir o sentido da vida que lhes preencheria a ponto de fazer brilhar seus olhos e sorrir seus lábios? No meio da fome do pão do diálogo e do sincero afeto, de onde poderia se construir a fraternidade? No meio da fumaça, da lama, da poluição, de onde poderia vir a restauração daquele belo jardim que nos foi dado de presente no início de tudo? Irmãos, no meio da morte, de onde se poderia vir a Ressurreição?

Não poderíamos ter dúvidas de que o Senhor respondeu a todas estas difíceis perguntas no dia em que Ele, pelo seu Santo Espírito depositou em nossas frágeis vidas o dom do Carisma Franciscano. Este é o nosso caminho de conversão íntima e pessoal; este é o nosso modo louco de mudar o mundo “normal”; esta é a nossa vida de santidade; este é, por excelência, o nosso caminho para o céu!  O nosso carisma é a vontade de Deus, é o Santo Evangelho a ser lido nas páginas de nossas vidas, sem medo da radicalidade ou do arriscar-se! É Ele quem chama e envia, e isso basta! Agora podemos entender o motivo pelo qual Francisco não hesita em pedir como lembrávamos acima: “Inclinai o ouvido de vosso coração; obedecei à voz; guardai em vosso coração; cumpri os seus conselhos; proclamai-o; exaltai-o; deis testemunho; e anuncieis”. Notemos a intensidade destes verbos! Tenhamos a certeza de que aí escondido está o profundo gesto de cuidado do nosso Pai Francisco ao nos dizer: é por aqui que se vai meus filhinhos, é por aqui! Não se afastem de seu carisma, nele está a Vida Nova!

A mais potente forma de Ressurreição e a que de fato importa é aquela que vem depois de uma total doação de vida pelo carisma, pelo ideal, pela causa do Evangelho. O Santo Padre, o Papa Francisco, no frescor de sua nova Exortação Apostólica Christus vivit nos lembra que o “Senhor «entregou o seu espírito» (Mt 27,50) numa cruz, quando tinha pouco mais de 30 anos de idade (cf. Lc 3,23). É importante tomar consciência de que Jesus foi um jovem. Deu a sua vida numa fase que hoje se define como a dum jovem adulto. Em plena juventude, começou a sua missão pública e, assim, brilhou «uma grande luz» (Mt 4,16), sobretudo quando levou até ao extremo o dom da sua vida. Esse final não foi improvisado, mas teve uma preciosa preparação em toda a sua juventude, em cada um dos seus momentos, porque «tudo, na vida de Jesus, é sinal do seu mistério» e «toda a vida de Cristo é mistério de redenção»” (23).

Este é o nosso grande desejo para esta Páscoa, caríssimas irmãs e irmãos Jufristas: que o primeiro (e o mais fundamental) passo rumo à revolução franciscana seja o de transformar-nos verdadeiramente em amantes do Carisma que recebemos. Isto é, viver o Santo Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, pobre e crucificado. Garante-nos o próprio Evangelho, se esta for nossa primeira e maior preocupação, tudo mais virá por acréscimo (Mt 6,33). Permita-se se fazer sensível a esta verdade! Ela liberta a fraternidade de ser uma mera reunião de pessoas com ideias diversas e conflituosas; ela liberta o diálogo de ser uma troca egoísta de farpas que ferem a tão sonhada minoridade; ela liberta o silêncio da vida de oração de ser rejeitado em nome de palavras vazias e numerosas; ela liberta o compromisso com o respeito acima de tudo de ser denegrido pelas avassaladoras “fake News”; ela liberta o amor pelos pobres por causa de Cristo de ser confundido como razão para a incitação à violência e ao ódio; ela liberta a Vida de ser um barato produto de sobrevivência a preço de mercado.  

No fundo, descobrimos que a Páscoa é fruto de um longo caminho de reconstrução da nossa Igrejinha em ruínas. A graça de Deus se encontra e se casa com nosso profundo desejo de servi-lo. Daí nasce a reconstrução, a ressurreição de Cristo em nós. Cada irmãos e irmã jufrista deste Brasil é um tijolo único e insubstituível aos olhos do Pai das Misericórdias. Ele nos deu uns aos outros, e não foi por acaso, antes, quis a Divina Providência que estivéssemos lado a lado e de mãos dadas lembrando-nos uns aos outros que Cristo “está em ti, está contigo e jamais te deixa. Por mais que te possas afastar, junto de ti está o Ressuscitado, que te chama e espera por ti para recomeçar. Quando te sentires envelhecido pela tristeza, os rancores, os medos, as dúvidas ou os fracassos, Jesus estará a teu lado para te devolver a força e a esperança” (Christus vivit, 2). Ele vive e não nos abandona porque seu nome é AMOR!

Feliz e Santa Páscoa!
Paz e Bem!

Solenidade da Páscoa do Senhor – 2019


Frei Henrique Ferreira dos Santos, OFMCap
Irmã Viviane Ramos da Costa, FDM
Frei Túlio de Oliveira Freitas, OFM

Assistentes Espirituais Nacionais
da Juventude Franciscana do Brasil

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