domingo, 19 de maio de 2013

PENTECOSTES: A nós descei divina luz!

Aprofundando os textos bíblicos:
Reinício do Tempo Comum com a 7ª. Semana, dedicando-se a uma leitura contínua do Evangelho de Lucas.

Atos 2,1-11; Salmo 104(103); 1 Coríntios 12,3b-7.12-13; João 20,19-23 

Para o povo de Israel, Pentecostes era inicialmente a festa ligada às colheitas e, mais tarde, a entrega da Palavra, a celebração da Aliança, feita no Sinai, que acontecia cinqüenta dias depois da Páscoa.


Nos primeiros séculos do cristianismo, Pentecostes não era apenas um dia, mas os cinqüenta dias do tempo pascal, que tinham no último dia o seu encerramento. Havia, portanto, grande unidade entre Páscoa e Pentecostes.

A partir do século IV rompeu-se essa unidade e Pentecostes passou a ser uma festa distinta da Páscoa. A renovação do Vaticano II resgatou a unidade perdida, propondo que Pentecostes seja o encerramento da festa pascal. Hoje, lembramos então, o dia em que, o mistério pascal atingiu a sua plena realização no dom do Espírito Santo derramado sobre a Igreja.

A Palavra de Deus que hoje nos foi anunciada no evangelho de João, o dom do Espírito Santo, prometido e entregue, é conseqüência da glorificação de Jesus. É o primeiro dia da semana e os discípulos temem a perseguição devido a sua relação com Jesus assassinado pelo sistema. A saudação da paz pascal, “shalom= abundância de bens para meu povo” faz vencer o medo, é o cumprimento da promessa. (Is 51,3.11; 52,7; 60,17; 66,12; Sl 35,9); a dúvida e o desânimo desaparecem com a identificação do “lado transpassado e das mãos feridas”. É dia do Senhor Ressuscitado, presente no meio da comunidade, dia da reconciliação e da memória da paixão e do dom do Espírito.

O gesto de soprar recorda a criação da humanidade em Gênesis e a ressurreição dos mortos que lemos em Ezequiel 37. O vento evoca o sopro de Deus, que nos cria e nos faz ser gente. O fogo está presente desde o Antigo Testamento na sarça ardente da vocação de Moisés, na coluna de fogo que acompanhava o povo no deserto...

A leitura do livro dos Atos traz um sinal novo: os/as seguidoras/es de Jesus falam e cada um ouve na sua língua de origem! O Espírito de Deus não é mais restrito ao povo judeu, é para todos os povos que não entendem o idioma que Pedro fala, mas cada um entende do seu jeito. Ninguém é estrangeiro nessa comunidade; todos são compreendidos, compreendem e vivem plenamente.

A segunda leitura nos diz que há diferentes dons, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. Não se trata apenas de qualidades naturais de cada um, nem de esforço puramente humano, mas têm sua origem em Deus Trinitário. A busca da unidade não promove a uniformidade, mas respeita as diferenças. Deus Criador faz cada pessoa de modo inteiramente original. Da mesma forma, um dom pode ser diferente de outro, sem ser melhor nem pior. Carismas, ministérios e atividades procedem de Deus Pai, do Espírito Santo, e do Senhor Jesus: muitos membros, cada um com uma função, todos importantes, todos voltados para o bem do conjunto, respeitando a diversidade.

Atualizando:
Alegrar-se com a diversidade pode ser uma forma de louvar a Sabedoria Criadora, inesgotável na variedade que faz brotar entre nós. Como parte da criação, a humanidade toda e todo universo, em sua variedade e diferenças precisam se entender, se respeitar, conviver como pertencentes a mesma natureza criada por Deus. A humanidade em sua diversidade de línguas, povos, nações, deve ser apenas a voz do universo que louva a Deus.

Pentecostes não apaga as diferenças, mas encurta as distâncias. Pentecostes manifesta o sinal operante do perdão, da unidade, da paz no mundo, na medida em que fala uma língua que todos entendam: a linguagem da justiça e do amor, linguagem de Cristo! Será que o Espírito de Deus poderá, através de nós, renovar a face da terra, ou estamos nos conformando ao que este mundo ordena?

A Palavra de Deus na celebração:
O Espírito nos tira da dispersão e nos reúne numa assembléia de irmãos, com vários dons e ministérios para ouvir a Palavra e viver a alegria da partilha e da comunhão. É também o Espírito Santo que transforma o pão e o vinho nos sinais da páscoa de Cristo e nos une, todos cristãos, num só corpo, revestindo-nos da força do alto para renovarmos a face da terra. Cada celebração é um novo Pentecostes.

Pentecostes é a festa da plenitude da páscoa. O espírito profético de Jesus torna-se o grande DOM da Igreja, tornando-a comunidade da proclamação e do testemunho!

Bendizemos ao Pai porque o Espírito Santo abriu e revelou a todos os povos, raças e nações o mistério que estava escondido desde sempre e reuniu todos na alegria da libertação. Somos hoje revestidos da força deste Espírito para sermos testemunhas alegres e corajosas do Cristo Ressuscitado. Há muitos sinais de sua ação, renovando a face da terra.


Celebramos a páscoa de Jesus Cristo presente em pessoas, grupos e comunidades que vivem fielmente uma aliança de amor com Deus e que se entregam à ação vigorosa do seu Espírito. Celebramos em comunhão com todas as Igrejas cristãs, com todas as religiões presentes no mundo, unindo nossa voz ao canto e ao gemido que brotam da terra e de todo o universo que anseiam pela paz.

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