quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Jornada na JUFRA de Foz do Iguaçu-PR


A Fraternidade de JUFRA Vem e Segue-me de Foz do Iguaçu-PR participou da semana de Direitos Humanos deste ano organizando um encontro formativo, tendo como base a cartilha da 3ª Jornada de Direitos Humanos, no qual muitas questões ligadas ao Estado foram levantadas dentre os questionamentos enfatizamos o próprio título do primeiro tema da cartilha: Estado pra quê e pra quem?


A partir daí a discussão se voltou para o papel do Estado que no caso do Brasil se trata de uma democracia, um grupo de pessoas é eleito pelo povo pra representar a população. No entanto, uma democracia apenas representativa não garante o bom funcionamento de uma nação. Uma vez eleitos, os mesmos eleitores assumem juntamente com seus representantes o compromisso de governar para o povo. Sendo assim, se faz necessário uma democracia para a além da representatividade, uma democracia popular, participativa, que tenha o poder de deliberar o que, para quê e para quem seus representantes irão legislar.


Desta forma, nota-se que esta participação tem se dado, sobretudo a partir dos movimentos populares cada qual com suas peculiaridades, mas que quando se olha de forma mais panorâmica se tratam todos juntos de reivindicações à grande parcela da população: os trabalhadores e trabalhadoras, as mesmas pessoas que votaram nesses legisladores e executivos.

Contudo, percebe-se um descompasso entre a representatividade e participação na vida democrática deste país. São inúmeros os casos em que as participações populares são vistas como afronta à ordem. O MST, um dos movimentos mais conhecidos no Brasil, assim como muitos outros, é sem dúvida modelo de participação e conquistas, mas também exemplo de vítima de perseguição e ataques políticos.


O aparato Estatal cada vez mais vem ganhando a forma representativa do Estado. A segurança existe, mas não é para o povo, ao contrário, é colocada contra o povo que luta por seus direitos. A saúde é só para quem está em degraus maiores da pirâmide social, mas ela existe. O trabalho? O discurso é que só não trabalha quem não quer, mas é gritante á súplica do povo que nas mãos tem o desejo de conquistar o pão para dar aos seus filhos. E a educação? A educação é regida de forma à legitimar a ordem injusta e marginalizadora da sociedade.

Estado pra quê? Pra quem? A resposta à essas perguntas se dá apenas pela luta. É batalhando, se unido às várias formas de organização e participação popular que podemos dar rumo ao Estado que queremos. Muito mais que votar, é compreendendo na prática o Brasil que temos que poderemos sonhar e lutar pelo Brasil que queremos.


Partindo destas reflexões a Jufra de Foz do Iguaçu-PR também organizou uma visita a um dos lugares onde se encontra grandes vítimas da sociedade. Vítimas sem voz, sem vez, esquecidas por tudo e por todos. A visita se deu no Lar dos Velhinhos, um asilo filantrópico da cidade. Lá conversando com os idosos e idosas, mais ouvindo do que falando, descobrimos histórias de vidas interrompidas, de vidas esquecidas, de vidas vividas e de vidas não vividas, histórias de amor, histórias de dor, histórias antigas, histórias nem tão distantes...

Descobrimos que não é só no rosto de uma criança que encontramos a esperança. Naqueles rostos tão cansados, tão vividos... há uma esperança sábia, uma esperança pautada em grandiosas experiências que querem compartilhar e fazer eternizar em ensinamentos, em exemplos de vida para um futuro melhor.


Depois de ouvir suas histórias e conhecer um pouco da realidade saímos de lá com uma lista de pequenos mimos pedidos por eles. Não foi nem ouro, nem dinheiro, mas coisas mínimas que retornamos ao local para entregar e contribuir com um momento de felicidade: Um porta-retrato de um casal que lá vive, uma camiseta do grêmio, um jogo de baralho, bijuterias, presilhas para o cabelo e um dia de manicure para as senhoras vaidosas. Foi a alegria do Lar e da Jufra. Um pequeno gesto para contribuir com aqueles que já viveram, já lutaram e continuam sendo tão maltratados pela vida.

Assim se deram os trabalhos da Jornada de Direitos Humanos nesta fraternidade.

Fraternidade Vem e Segue-me
Foz do Iguaçu-PR
O que achou?

0 comentários: