sábado, 19 de maio de 2012

Domingo da Ascensão do Senhor

Neste domingo, a Igreja celebra a Ascensão de Jesus Cristo, segunda grande solenidade dentro do contexto pascal. Primeiramente, tivemos a celebração mesma da Ressurreição, agora, a celebração da Ascensão e, no próximo domingo, a solenidade de Pentecostes, como coroamento do tempo pascal.

Etimologicamente, a palavra ascensão é o mesmo que elevação. Já no contexto bíblico-teológico, significa glorificação. Sendo assim, como entendê-la com relação à ressurreição?

Ascensão e Ressurreição formam verdadeiramente um todo. Se bem que podemos fazer uma distinção entre ambas. Quando nos referimos ao Cristo ressuscitado, entendemos que o Pai o fez vencedor da morte, vencedor do pecado do mundo e vencedor do mal; e, ainda, diante da mentira daqueles que o crucificaram como MALDITO de Javé, o Pai afirma ser todo para o Filho, desmentindo a todos e aceitando o SIM dado pelo Filho durante toda sua vida entre nós e, especialmente, na cruz. O Pai, como queriam alguns, não amaldiçoou o Filho, mas acolheu o dom de sua pessoa encarnada e entregue na cruz como dádiva de amor e salvação para todos nós. Quanto à Ascensão, teologicamente afirmamos que é a entronização de Jesus na glória do Pai; é o recebimento do senhorio universal (diz o Credo: ele está sentado à direita de Deus Pai) e, ao mesmo tempo, é sinal da divinização da nossa natureza, pois Cristo nos torna participantes da natureza divina (cf. 2Pd 1,4).

A Ascensão de Jesus indica o cumprimento das promessas de Deus, uma vez que através dele todas as nações são abençoadas e todos os povos recebem a graça da vitória, da esperança de vida nova e da certeza da salvação. Jesus se eleva ao Pai porque realizou dignamente a missão salvífica da humanidade, sendo totalmente obediente ao Pai e completamente posto a favor de todos nós.

A Ascensão também se relaciona com a Encarnação do Verbo. A humanidade que pelo Verbo foi assumida na Encarnação, com a Ascensão foi glorificada. Esta é a realização do objetivo daquela. Isso nos mostra como os mistérios de Deus são interligados e devem ser vistos de modo inseparável dentro do conjunto do contexto salvífico. Liturgicamente falando, o Natal se realiza hoje, pois a carne frágil assumida no âmbito do mundo, hoje foi glorificada no âmbito de Deus.

Quanto ao fato da citação dos quarenta dias, quer-se afirmar um tempo completo, necessário para a realização de um objetivo, que, neste caso, é o cumprimento da missão de Jesus. Recordamos que a Sagrada Escritura em muitos momentos faz referência ao número quarenta, por exemplo, os quarentas dias do dilúvio, os quarenta anos do povo de Deus no deserto, os quarenta dias de Moisés no Monte Sinai, de Elias no Monte Horeb, de Jesus no deserto, etc. A própria Liturgia da Igreja também usa esse número quando vive a quaresma, objetivando a Páscoa, e, no próprio tempo pascal até a celebração de hoje. Durante esse tempo, Jesus Ressuscitado preparou seus apóstolos e os fez entender o mistério de sua glória e de sua missão, que deve continuar por meio deles. Por isso, Jesus envia o seu Espírito, a fim de que Ele, agindo na Igreja, continue Cristo e seus ensinamentos presentes na História.

Entendendo o mistério da ação de Jesus Cristo, os apóstolos, depois de experimentarem o medo, por causa do evento da cruz, e também a covardia diante dAquele que por eles deu a vida, agora são alimentados com a glória contagiante do Senhor. O medo, a covardia e a decepção se transformaram em encanto e desejo de participação na mesma glória do Mestre. Segundo o texto do Evangelho (Lc 24,46-53), os apóstolos saíram daquele encontro cheios de alegria. Podemos dizer que eles partiram com o ardente desejo de transformar o mundo segundo o Ressuscitado. Isso significa que neles foram fortalecidas as virtudes da fé, da esperança e da caridade. Abrasados de amor, voltados totalmente para Deus, seguiram na expectativa da segunda vinda do Senhor e da conversão do mundo.

E nós, diante do mesmo Jesus Cristo glorificado, o que devemos fazer? O Papa, na homilia proferida na cidade do Porto (Portugal), dia 14 do corrente mês, disse: “... é necessário que vos torneis comigo testemunhas da ressurreição de Jesus”. E questionou: “... se não fordes vós as suas testemunhas no próprio ambiente, quem o será em vosso lugar?” O Papa, também ele ardendo de zelo pela missão urgente da Igreja no mundo, acrescentou: “Esta é a missão inadiável de cada comunidade eclesial: receber de Deus e oferecer ao mundo Cristo ressuscitado, para que todas as situações de definhamento e morte se transformem, pelo Espírito, em ocasiões de crescimento e vida”. Essas palavras do Papa certamente só podem ser seguidas por quem encontrou o verdadeiro sentido do Cristo glorificado e, também, da alegria de lhe pertencer.
 
Fonte: Rádio Vaticano
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