O Voto como Exercício de Bem Comum: Um Guia de Discernimento

Em momentos críticos, é necessário discernir. E para isso é também necessário ter disposição e boas informações. Para ajudar no discernimento, é preciso ter em primeiro lugar muita empatia: acreditar na boa vontade da pessoa, começar por escutar, não se precipitar. Segundo o método de discernimento de Santo Inácio, ambas as pessoas devem fazer este caminho:
  1. Abrir a possibilidade de examinar novamente e melhor, com sinceridade, o assunto – no caso, em quem votar.

  2. Tomar distância de tudo, de ambos os lados. É o que ele chamava de “estado de indiferença”, para escutar o que for melhor. Ou seja, no caso, ajudar a entender que vão querer o melhor não para si mesmos, mas para o povo brasileiro, sobretudo para aqueles que mais precisam de ajuda do governo para erguer suas vidas. É o povo que interessa, não os partidos ou aqueles que tem a vida resolvida satisfatoriamente.

  3. Ouvir os argumentos dos dois caminhos, no caso das duas opções de voto. Convém primeiro escutar qual as razões por que a pessoa está achando melhor o outro lado. Perguntar sem espírito de cobrança e sem rebater quais as informações, quais suas fontes.

  4. Ao apresentar as razões deste lado, se a pessoa é evangélica, apelar para como Jesus olharia para o povo brasileiro. Se é católica, comece pelas orientações dos bispos e da doutrina da Igreja, inclusive do Papa. Lembre os seguintes quatro pontos da doutrina social da Igreja (mas isso pode valer para evangélicos, sem mencionar a doutrina como sendo da Igreja):
A política deve estar a serviço do bem comum. Mas “bem comum” parece expressão muito abstrata para muitos. Então explicar: é o bem do povo em primeiro lugar, de todo o povo, sem privilégios de ninguém. É importante, em política, misturar o próprio interesse com o bem de todos, é de interesse próprio que todos estejam bem: o povo precisa de garantia de comida, saúde, trabalho, educação, transporte, descanso, respeito. São os direitos básicos.

Para escolher quem melhor pode atender, é necessário ter boa informação do candidato, seu passado, seu trabalho público, seus projetos no passado e agora. E ver se ele atende a exigência política do bem do povo.

A justiça é o caminho da paz social. Mas a justiça não é apenas dar a cada um o que é seu, retribuir o que cada um merece. Essa é a justiça retributiva. Numa sociedade com tanta diversidade, a justiça social é saber que é natural acontecer desajustes econômicos e ter gente que precisa de socorro e de oportunidade para sair de seus apuros. A justiça social não é conseguida se o Estado não tiver políticas sociais, públicas, que estejam voltadas sobretudo para os mais frágeis, os mais pobres, os que tem menos recursos. Programas de casas e de empregos para todos, de remédios e assistência à saúde para todos, etc. são fundamentais numa sociedade justa e em paz.

Finalmente, o Estado deve cuidar do respeito e da segurança da liberdade de crenças, de convicções. Nenhuma crença pode se impor ou impedir e criar desordem pública.

Com esses critérios aceitos, partindo para os fatos, por exemplo, os programas sociais do governo Lula – e falar concretamente da personalidade de cada candidato, não é difícil saber o nome de quem é o melhor para governar o Brasil.


Foto: Comunicação Diocese de União da Vitória

Autor: Frei Luiz Carlos Susin, OFMCap

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