sábado, 28 de março de 2020

OFS: "Carta em Defesa da Vida"


Rio de Janeiro, 27 de março de 2020. 
CARTA EM DEFESA DA VIDA 2020 
Aos irmãos e às irmãs da Ordem Franciscana Secular,
Paz e bem!
"Reconciliai-vos com Deus." (2Cor 5,20)
“Escolhe, pois, a Vida.” (Dt. 30,19)

Durante o período quaresmal deste ano de 2020, o mundo está diante da Pandemia do Covid-19 (coronavírus). São duas vozes bem distintas, mas que nos levam ao encontro de um mesmo discurso: a Penitência.
Nós, franciscanos e franciscanas seculares, somos chamados a permanecer fiéis ao nosso carisma penitencial, passando da vida ao evangelho e do evangelho à vida (Reg. 4).
E neste período que antecede a festa da Vitória da Vida, de um modo especial, somos chamados ao exercício de um profundo exame de consciência para nos reconciliarmos com Deus. E quem se reconcilia com Deus deve reconciliar-se com seus irmãos, porque a vida de penitência é extremamente fraterna. E, assim, viver em fraternidade significa estarmos unidos a uma só família, a um só corpo, a um só Deus.
Então: Quem somos? Com quem caminhamos? De qual projeto somos colaboradores? Por que colaboramos? Como colaboramos? É diante de todas estas questões que precisamos parar, pensar e agir como católicos e franciscanos em resposta ao Covid-19 e seus desdobramentos.
Essa nova pandemia nos expõe a diversos dilemas e, talvez, um dos maiores seja: Economia x Saúde, ou melhor, Dinheiro x Vida.
Jesus Cristo veio anunciar a vida em primeiro lugar e seus ensinamentos nos afirmam que toda vida é importante, pois é um bem comum doado a todos (Jo 10,10). Diante desta máxima não deve haver argumentos, principalmente partindo daqueles que foram batizados e, por isso, são novas criaturas, raios da luz, filhos de vida.
Neste mistério encontramos a liberdade do amor. E esse amor é exigente e requer escolhas. Escolhe, pois a vida! (Dt 30,15-20 e Lc 9,22-25).
Assim, a economia deve estar a serviço da vida e não o contrário. Aprendamos com a Laudato Si’! Observemos que existem práticas solidárias da economia que nos ensinam a partilha dos bens. Igualmente, são sinais de esperança criativa: a agricultura familiar, a educação popular, a democratização midiática, a resistência artística, a ecoteologia, o diálogo inter-religioso, o ecumenismo... Sinais de um novo céu e de uma nova terra.
Mesmo assim, ainda percebemos vários contrassensos na sociedade, uma absurda inversão de valores e, também entre nós, desobediência tácita. Lembremos sempre: não podemos servir a Deus e ao dinheiro (Mt 6, 24). “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mt 22, 21).
Sabemos que o Reino de Deus já está entre nós e que o Reino se inicia neste mundo, mas que não somos deste mundo. E, com isso, precisamos estar convencidos de nossos valores batismais e percebermos que, diante das diversas crises econômicas que já experenciamos na história, encontramos nos valores do Reino a equação necessária para o bem comum.
Diante do exposto, solicitamos a todos os irmãos e irmãs da Ordem Franciscana Secular do Brasil (em observação à Pobreza, à Obediência e à Castidade) que PERMANEÇAMOS: fiéis à vida de penitência, a qual prevê que ninguém seja excluído; firmes em nosso profetismo diante dos sinais de morte; e reconciliados com Deus na defesa da vida, em todo o tempo e lugar, principalmente onde ela é mais ameaçada. Desse modo, recomendamos que atendam às orientações da Organização Mundial da Saúde e respeitem o isolamento social, evitando a propagação da doença, os riscos a tantos irmãos e irmãs, principalmente os do grupo de risco, e o colapso do sistema de saúde.
Que Santa Isabel da Hungria e São Luís Rei de França sejam nossos exemplos seculares na vivência do nosso carisma franciscano, tendo como base os seguintes pilares: Oração, Minoridade, Fraternidade e Apostolado.
Que Nossa Senhora Aparecida nos ajude a vivermos a verdadeira alegria franciscana e acolha em seu coração nossas preces por todos os que perderam seus familiares e por todos os enfermos do Covid-19. Que Deus abençoe as lideranças do poder público brasileiro e todos os profissionais envolvidos na contenção da pandemia.
Fraternalmente,

Maria José Coelho - Ministra Nacional
Helio Gouvêa - Coordenador Nacional de JPIC

Colaboração na redação do texto: Francisco Araújo, OFS
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