domingo, 17 de setembro de 2017

UM OLHAR FRANCISCANO SOBRE A MÍSTICA DA CRUZ E DAS CHAGAS


A Festa da Exaltação da Santa Cruz, recorda ao nosso coração franciscano o amor e a reverência que todos somos chamados a viver intensamente.

Cruz bendita, bendita cruz, madeiro sagrado fonte viva de esperança, água e sangue que nos cura e redime, cruz que merecestes suster o peso do mundo, a vida em ti fere a morte, e nos banha em sangue fecundo, nossa esperança verdadeira, fonte perene de vida, Cruz bendita em ti encontramos nossa razão de viver. Assim como Francisco por ti foi tocado, e em seu amor pelo Cristo, quis sofrer os mesmos tormentos e o mesmo amor.

São Francisco de Assis é marcado profunda e misteriosamente pelo sinal da Cruz. O santo viveu em continua busca da imitação de Jesus Cristo pobre e crucificado.

Toda a vida de Francisco foi orientada na direção de um ponto culminante: ao singular mistério do Monte Alverne. Lá ele encontrou o despojamento extremo e uma imensa solidão, e com isso Francisco se rejubilou e sua vida naquele lugar tornou-se oração e ininterrupta penitência. Todo o itinerário do santo é perpassando pela profunda devoção à Paixão do Senhor, "enquanto viveu trouxe os estigmas do Senhor em seu coração como depois claramente se patenteou pela renovação dos mesmos estigmas maravilhosamente realizado em seu corpo" (Legenda dos Três Companheiros).

No alto e frio Monte Alverne chorando o Amor que não é amado, Francisco experimentou intensamente, amor em forma de cruz, na sua carne os cravos da Cruz do Senhor. Por isso, por onde passava deixava sua marca de cruz. Não com palavras, mas com gestos, ele transmitiam o amor e a paixão pela cruz.

Que nessa festa dos estigmas de Francisco, o Senhor abençoe esta terra de Santa Cruz e que ao contemplarmos os mistérios da Paixão de Cristo, possamos trazer presente tantos chagados e chagadas de hoje, irmãos e irmãs nossos que a cada sofrem as Chagas da exclusão, do abandono, do preconceito. Vítimas de um sistema que ainda hoje assinala marcas profundas de crucifixão, sejam estes nossos irmãos e irmãs inseridos no Mistério Pascal de Cristo, que nos convida a afirmar que o amor e a vida têm a última palavra.

Abrasados pelo mesmo amor com o qual Francisco se identificou com o Cristo, seja a nossa vida e missão um testemunho ardente de doação para que possamos hoje curar as diversas "chagas" presentes em nossa sociedade.

Ir  Patrícia Francisca Dutra,FDM
Assistente Espiritual Nacional OFS/JUFRA

Frei Wellington Buarque de Souza,OFM
Assistente Espiritual Nacional OFS/JUFRA
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