domingo, 6 de outubro de 2013

JUFRA É DESTAQUE EM MATÉRIA SOBRE A ESPIRITUALIDADE DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS

Mesmo após 800 anos da morte São Francisco de Assis – o jovem que se deixou amar por Cristo, sua forma de amor continua viva e impulsiona a Igreja.
Giovanni di Pietro di Bernardone, mais conhecido como Francisco, poderia ser chamado de popular, aquele cujos olhs de todas as meninas ficam voltados quando ele entrava nos eventos mais badalados de Assis, na Itália, sua cidade natal. Seus amigos o apelidaram “Rei da Festa”, tamanho seu apreço pelas baladas. Típico “filhinho de papai”, ele tinha tudo de melhor e mais moderno, vinha de uma família rica, que sustentava lugar de respeito da sociedade.
Como queria expandir sua fama das baladas para o mundo, resolveu ingressar na cavalaria. Ganhou as melhores armas, a melhor armadura, uniforme, escudo e outros apetrechos de guerra, porém, ao contrário do que ele imaginava, a perspectiva de glória logo foi trocada pelo chamado misterioso de uma voz que o intrigava a descobrir valores que não estavam nos campos de batalha, tampouco nas festas, bebidas e na vida que outrora levava.
Confuso, ele se retirou da sociedade que antes tanto lhe agradava, para buscar a verdade imperecível. Sua mudança foi radical. Uma manhã enquanto cavalgava encontrou com um leproso, fazia frio e o homem tinha apenas trapos sobre o corpo. Ele sempre sentira repulsa dos leprosos, mas, naquele momento, desceu de seu cavalo e cobriu o doente com seu próprio manto. Espantado consigo mesmo, olhou nos olhos do outro e viu sua gratidão. Enquanto ele mesmo chorava, beijou aquele rosto deformado.
Mas a verdade que tanto procurava se revelou  durante a oração em uma pequena igreja em ruínas, pela primeira vez ele ouviu a voz de Jesus que lhe falou em um crucifixo: “Francisco, vai e reconstrói a minha igreja, que está em ruínas”. A princípio, ele imaginou que sua missão se restringia em reformar a igrejinha, mas depois, compreendeu que Cristo o queria revolucionário, transformando a sua própria Igreja.

História viva
Mais de 800 anos se passaram e a história de Francisco continua viva. De acordo com o  formador vocacional da Ordem dos Frades Menores (OFM), da Província do Santíssimo Nome de Jesus no Brasil, frei  Sérgio Resende, esse legado continua atual, pois aquele jovem se deixou ser amado por Deus, mostrando que nossa vida acontece somente quando nos deixamos amar por Cristo, quando entendemos que o valor da vida é o valor da vida e morte de Cristo.
Frei Sérgio aponta que é preciso inspirar-se no jovem de Assis, para entender que a missão e vocação são procuras pessoais, por meio de um contato com Cristo. “Muitos jovens pensam que o cristianismo é algo para fazer, mas Francisco nos ensina que o cristianismo é algo para ser, ele sempre dizia “alto e glorioso Deus” e se sentia amado por que não é um Deus longe, mas um Deus que se encarnava na sua vida”, explica.
Segundo ele, os jovens de hoje podem experimentar a mesma ousadia que Francisco viveu. Os passos são: acreditar em valores grandes, buscar a Deus em oração e através da Igreja. “Um jovem quando faz isso se abre a uma experiência de um valor e assim terá mais força em suas escolhas. O jovem que tem o grande valor que é Jesus Cristo sabe que Ele não tira nada, mas só acrescenta. Para isso ele precisa acolher esse amor e permitir que Cristo faça algo por sua vida de modo muito concreto, na oração, na Igreja e na Palavra de Deus”, indica

Aos confins da terra
Assim como Francisco, muitas pessoas compreenderam esse amor e decidiram vivê-lo de forma intensa. Uma delas é o frei Benedito Júnior. Ele experimentou uma conversão radical, trocando a antiga vida pelo estilo franciscano. Impelido por um chamado missionário, partiu para Luanda, na África, deixando sua família, amigos e irmãos de congregação.
Naquele momento, pôde fazer uma experiência com Jesus por meio das diversas malárias que contraiu e até mesmo pelas pedras nos rins. “Tive uma  a  série  de  malarias,  lá tem  o  nome  de  paludismo, foram  sete, o  número  da  perfeição,  acho  que  uma  recaída por  não  ter  guardado  repouso, mas tudo valeu a pena, porque  a  missão  deve ser  vivida  intensamente”, conta.
Sua rotina missionária consistia em visitar aldeias ensinando sobre Jesus, além de orientar mães e crianças sobre noções básicas de higiene. “Lá, promovi um trabalho  de  evangelização, mas também ensinei  a escovar os dentes,  tomar banho e  brincar,  pois  não existe o  costume,  e em troca aprendi com eles a  aceitar  uma  cultura mesmo  que  pareça  absurda. O chamado  a  partilhar,  a  estar junto, percebi que o fazer  vem  por  acréscimo, assim  eu  vivi o  que realmente é a  missão”, diz.


Amando o amor

Na época de Jesus e de São Francisco, a lepra era uma doença incurável, quem a contraía vivia à margem da sociedade. Hoje em dia, a Hanseníase pode ser comparada à epidemia do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), que, segundo a Organização Mundial da Saúde, vitimiza mais de 34 milhões de pessoas em todo o mundo.
Para amar o amor de Cristo, nos portadores, abandonados pela própria família, as Irmãs Franciscanas da Divina Misericórdia, de Anápolis (GO), a 50 quilômetros de Goiânia (GO), dedicam sua vida para levar dignidade e apoio a esses que vivem esquecidos. Aos 20 anos, Eudes Trindade, deixou a vida confortável que vivia para se dedicar ao chamado de São Francisco de pobreza e apoio ao necessitado.
Hoje, entre curativos e cuidados básicos que vão de banhos, refeições, idas ao hospital até os devocionais na capela, com os cerca de 20 atendidos, ela diz que encontrou o verdadeiro sentido de sua vida. “Eu troquei uma vida confortável por uma pequena cela sem guarda-roupa, a cama é de cimento e só possuo três hábitos, existem cruzes, desafios, mas sou muito feliz. Deus me sustenta a cada dia com sua misericórdia, e aqui nesse local tento olhar cada um com o olhar de Deus, eu busco ser serva da misericórdia dando condições para que eles tenham maior qualidade de vida”, conta entusiasmada.

Ideal de vida
Impulsionados por valores que não se perdem, muitos jovens decidem seguir os passos de São Francisco. Uma dessas expressões se encontra na Juventude Franciscana (JUFRA), que  busca a  espiritualidade do “viver em fraternidade” como Ideal de vida.
Jéssica Maria de Lima Rocha, vive esse ideal em Teresina, Piauí. Para ela, a chama de Assis é um desafio diário de vivência do Evangelho. “Ser franciscana é um desafio diário, todos os dias deve morrer algo de ruim para poder nascer e viver algo de bom; é preciso lutar contra os anseios pessoais para que o que faz e diz seja, de fato, bom e oportuno na vontade do Pai; esse é o voto mais difícil. Quando a gente passa a conhecer o Santo de Assis, algo em você pulsa forte e te chama para ir mais além do que você está acostumado”, destaca.
Esses jovens buscam a simplicidade e caridade como centro de uma vida focada no chamado de Cristo. “É assim que mantemos essa chama. Lembrando que somos jovens que estudam, trabalham, mantêm uma vida normal; mas buscamos lutar para conquistar uma condição social em que possa ajudar o irmão que necessita”, aponta Jéssica.
Por: Maria Amélia Saad (Jovens Conectados)
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