quinta-feira, 2 de setembro de 2010

JUFRA DO BRASIL TEM NOVO ASSISTENTE ESPIRITUAL


No último Definitório da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil da OFM foi nomeado para a função de Assistente Espiritual Nacional da JUFRA do Brasil Frei Miguel da Cruz, para apresentarmos o jovem frade paranaense à JUFRA, elaboramos uma pequena entrevista onde o mesmo se apresenta a nós, segue a entrevista, e que Deus o abençoe no cumprimento desta função tão importante para a JUFRA do Brasil:

JUFRA do BRASIL: Frei Miguel como foi seu chamado para ser franciscano? Que motivações o levaram a seguir este carisma?

Frei Miguel: Eu acredito que o meu chamado para ser religioso franciscano aconteceu de modo muito simples. Ou, melhor dizendo, sem nada de extraordinário. Pois bem! Desde a minha infância almejei em ser padre. E como na minha região estava “cercado” pelos franciscanos, quando busquei concretizar o meu desejo de infância (ser padre), fui enviado ao seminário franciscano. Fui, vi, me apaixonei pelo estilo/ser (frade menor) e aqui estou. Certamente as motivações que me levaram a seguir o carisma franciscano foram: a vida fraterna, (a condição sine qua non) sem nada de próprio, o cuidado/respeito por todas as criaturas do Universo.

JUFRA do BRASIL: O quê conhece e como conheceu a JUFRA, e que perspectivas, propostas, planos e objetivos têm para exercer este seu ministério de assistente nacional?

Frei Miguel: O meu conhecimento da JUFRA, posso dizer que é bastante limitado. Explico: será a primeira vez que irei acompanhar a Juventude Franciscana de perto. Eu espero que possamos caminhar, pensar/refletir, rezar, sonhar e buscar intensamente a conversão dos nossos corações de jovens franciscanos. E como filhos e filhas do dileto pai Francisco e discípulos e discípulas do Mestre Jesus, desejemos profundamente, testemunhar a Espiritualidade de nosso seráfico pai e o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.

JUFRA do BRASIL: Como está hoje a opção pelos pobres, feita pela Igreja da América Latina? De que forma você pensa trabalhar o espírito de amor/compromisso com os pobres e oprimidos, marca do carisma francisclareano, na JUFRA do Brasil?

Frei Miguel: Quanto à opção pelos pobres na Igreja da América Latina, eu sinto que a Igreja tem buscado incessantemente, embora às vezes esteja deixando a desejar naquilo que é muito caro à natureza dos documentos da Igreja Latina Americana (opção pelos pobres), fazer valer na sua prática cotidiana o testemunho do Evangelho. Onde a Igreja é convidada a difundir no mundo a caridade de Cristo, para que os homens e os povos «tenham a vida e a tenham em abundância» (Jo 10,10).

JUFRA do BRASIL: Uma outra opção da Igreja da América Latina é pelos jovens, portanto, que leitura você faz da juventude, e desta opção, hoje, em nível familiar, sócio-político e eclesial? Como comunicar o Evangelho de Jesus Cristo a esta – com esta – juventude?

Frei Miguel: O mesmo documento (diretrizes gerais da ação evangelizadora da igreja no Brasil) dá uma particular atenção à nossa juventude. Sustenta a opção da igreja pelos jovens em todas as suas dimensões (familiar, sócio-político e eclesial) e afirma que na esfera da vida particular, com grave conseqüência para a vivência cristã, predomina a mentalidade segundo a qual cada um se julga absolutamente dono de suas decisões, aceitando cada vez menos as orientações da sociedade, mesmo os imperativos éticos mais elementares, gerando um clima de permissividade. As novas gerações são as mais afetadas pela cultura do consumo em suas aspirações pessoais profundas. Crescem na lógica do individualismo pragmático e narcisista que desperta nelas mundos imaginários especiais de liberdade e igualdade. Têm nova atração pelas sensações e crescem na grande maioria sem referência aos valores e instâncias religiosas. A busca da felicidade, da realização pessoal, da satisfação do indivíduo, que em si são aspirações legítimas e cristãs, tomadas como absolutas, têm conseqüências negativas sobre as relações sociais, as instituições, os compromissos duradouros, que se tornam frágeis e facilmente descartáveis.

Como comunicar o Evangelho a esta juventude? Uma questão nada fácil. Isto porque, segundo o documento, o individuo escolhe sua religião num contexto pluralista. Mesmo aderindo a uma tradição ou instituição religiosa, tende a escolher crenças, ritos e normas que lhe agradam subjetivamente ou se refugia numa adesão parcial, com fraco sentido de pertença institucional. Ou, ainda, procura construir, numa espécie de mosaico - sua religião pessoal com fragmentos de doutrinas e práticas de várias religiões. Existe um número, crescente, dos que recusam a adesão a qualquer instituição religiosa e consideram suas convicções uma “religião invisível”, com pouca ou nenhuma prática exterior. Cresce também a atração por práticas esotéricas, baseada em falsas doutrinas, afetando a fé cristã. Constata-se que para muitos a religião é vista numa ótica utilitarista, por oferecer bem-estar interior, terapia ou cura de males, sucesso na vida e nos negócios, como aparece na chamada “teologia da prosperidade”. Portanto, temos necessidade urgente de viver na Igreja a paixão que norteia a vida de Jesus Cristo: o Reino de Deus, fonte de graça, justiça, paz e amor. Por esse reino, o Senhor de a vida.

Conclusão:

“Terra e humanidade somos como uma nave espacial em pleno vôo. Essa nave tem recursos limitados de combustível, de alimentos e de tempo de transcurso. 1% dos passageiros viaja na primeira classe com super-abundância de meios de vida. 4% na classe econômica com recursos abundantes. Os restantes 95% estão junto às bagagens no frio e na necessidade. Pouco importa a situação social e econômica dos passageiros. Todos correm ameaça de vida pelo esgotamento dos recursos da nave. Todos terão o mesmo destino dramático, ricos, remediados e pobres, caso não houver um acordo de sobrevivência para todos indistintamente. Desta vez não há uma arca de Noé que salve alguns e deixe perecer os demais” (L. Boff).

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