segunda-feira, 6 de julho de 2009

Pastoral dos Vagabundos?!

Victor Dias (Goiatuba-GO)
Todos temos que estudar e trabalhar para ganharmos nosso dinheiro – não necessariamente nessa ordem. Foi-nos vendida a idéia de que quanto mais dinheiro tivermos, mais felizes seremos, pois tudo o que traz felicidade precisa ser comprado, e trabalho voluntário passou a ser encarado como um passa-tempo de quem “não tem nada melhor pra fazer”. Vi muitos/as companheiros/as de talento largarem o trabalho na igreja porque passaram no vestibular ou porque arrumaram emprego, ou estavam trabalhando e estudando; e toda vez que isso acontecia eu me perguntava: será que só pode desempenhar um bom trabalho na igreja quem é vagabundo?

Para responder a essa pergunta, eu comecei a observar as pessoas. Desde alguns anos para cá, quase tudo ficou abandonado, e quando questionados/as sobre o porquê da inoperância, a justificativa pairava sempre por esse caminho: hoje em dia temos que estudar, trabalhar, namorar, etc.

Como assim? Quer dizer que os jovens de dez anos atrás não tinham que estudar, trabalhar, namorar?

Tinham. Respondam pra mim certa vez, mas segundo ele antigamente, a juventude era bem mais romântica (idealista) do que hoje, e questões mais particulares eram subjugadas em detrimento de um ideal coletivo. Alguns se queixam de ter dedicado quase a vida toda pra igreja sem ligar muito para os estudos, para uma vida profissional sólida, e hoje estão tendo que recuperar o “tempo perdido”. Nunca ouvi de ninguém a palavra arrependimento, mas quase todos foram enfáticos em reconhecer que hoje em dia esse tipo de atitude não cabe mais, é um sacrifício desnecessário.

Mas então hoje em dia as pessoas não levam tão a sério o trabalho pastoral para não repetir os excessos da galera antiga?

Não! [Quase me gritaram os intelectuais humanistas do nosso tempo]. Percebi que há muito mais elementos em torno dessa questão para darmos uma resposta tão simplista assim. Mas antes de tratar dos agentes influenciadores da visão pouco romântica dos jovens da atualidade, eu gostaria de dar minha opinião sobre o comportamento dos jovens que tanto me inspiraram.
Alguns dizem que essas pessoas foram radicais demais. Hora, ser radical é ruim? Acho preocupante quando um cristão condena os radicais, porque a palavra “radical” etimologicamente tem origem na palavra raiz. Certa vez, a algum tempo falavam sobre espiritualidade e comparava justamente espiritualidade com uma planta. Dizia que a nossa espiritualidade é como uma planta com raízes firmes, pois quando nossa espiritualidade está fortificada somos como uma planta bem enraizada que resiste a qualquer vendaval, a qualquer tempestade. Então ser radical não é ruim, ao contrário. Radical foi Ghandi que fez revolução na Índia sem nem uma arma, radical, portanto, foi Jesus Cristo que deu sua vida por nós. Se um dia me chamarem de radical, ficarei lisonjeado.
Agora retomando ao verdadeiro porquê de pessoas hoje não terem mais apreço pelo trabalho pastoral do que pelo seu próprio umbigo, vamos nos deparar com um palavrão: pós-modernidade. E para entendermos mais ou menos o que vem a ser isso, precisamos fazer a recapitulação de alguns fatores determinantes dessa era transitória em que vivemos.
O que achou?

3 comentários:

Anônimo disse...

Um dia eu passei no vestibular, mudei de cidade, de paróquia. Mas, graças a Deus, posso falar que não me arrependo de não ter mudado de grupo, de amigos e de pastoral! Viva a Pastoral da Juventude!!!!!!

Allan Santana (Goiatuba/Goiânia - GO)

Anônimo disse...

"Faça poucas coisas, mas as faça bem."

Anônimo disse...

Sim, provavelmente por isso e