sábado, 29 de setembro de 2007

MENSAGEM POR OCASIÃO DO DIA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS (04 DE OUTUBRO)

Amor franciscano

Leonardo Boff
Teólogo


Quem diria que um homem que viveu há mais de 800 anos viesse a ser referência fundamental para todos aqueles que procuram um novo acordo com a natureza e que sonham com uma confraternização universal? Este é Francisco de Assis (+1226), proclamado patrono da ecologia. Nele encontramos valores que perdemos como o encantamento face ao esplendor da natureza, a reverência diante de cada ser, a cortesia para com cada pessoa e o sentimento de irmandade com cada ser da criação, com o sol e a lua, com o lobo feroz e o hanseniano que ele abraça enternecido.
Francisco realizou uma síntese feliz entre a ecologia exterior (meio ambiente) e a ecologia interior (pacificação interior) a ponto de se transformar no arquétipo de um humanismo terno e fraterno, capaz de acolher todas as diferenças. Como asseverou Hermann Hesse: “Francisco casou em seu coração o céu com a terra e inflamou com a brasa da vida eterna nosso mundo terreno e mortal". A humanidade pode se orgulhar de ter produzido semelhante figura histórica e universal. Ele é o novo, nós somos o velho.
O fascínio que exerceu desde seu tempo até os dias de hoje se deve ao resgate que fez dos direitos do coração, à centralidade que conferiu ao sentimento e à ternura que introduziu nas relações humanas e cósmicas. Não sem razão, em seus escritos a palavra "coração" ocorre 42 vezes sobre uma de "inteligência", "amor" 23 vezes sobre 12 de "verdade", "misericórdia" 26 vezes sobre uma de "intelecto". Era o "irmão-sempre-alegre" como o alcunhavam seus confrades. Por esta razão, deixa para trás o cristianismo severo dos penitentes do deserto, o cristianismo litúrgico monacal, o cristianismo hierático e formal dos palácios pontifícios e das cúrias clericais, o cristianismo sofisticado da cultura livresca da teologia escolástica. Nele emerge um cristianismo de jovialidade e canto, de paixão e dança, de coração e poesia. Ele preservou a inocência como claridade infantil na idade adulta que devolve frescor, pureza e encantamento à penosa existência nesta terra. Nele as pessoas não comparecem como "filhos e filhas da necessidade, mas como filhos e filhas da alegria" (G. Bachelard). Aqui se encontra a relevância inegável do modo de ser do Poverello de Assis para o espírito ecológico de nosso tempo, carente de encantamento e de magia.
Estando certa vez, no dia 4 de outubro, festa do Santo, em Assis, naquela minúscula cidade branca ao pé do monte Subásio, celebrei o amor franciscano com o seguinte soneto que me atrevo a publicar:
Abraçar cada ser, fazer-se irmã e irmão,Ouvir a cantiga do pássaro na rama,Auscultar em tudo um coraçãoQue pulsa na pedra e até na lama,
Saber que tudo vale e nada é em vãoE que se pode amar mesmo quem não ama,Encher-se de ternura e compaixãoPelo bichinho que por ajuda clama,
Conversar até com o fero loboE conviver e beijar o leprosoE, para alegrar, fazer-se de joão-bobo,
Sentir-se da pobreza o esposoE derramar afeto por todo o globo: Eis o amor franciscano: oh supremo gozo!

Que todos os jufristas possam comemorar dignamente o dia do nosso Santo fundador (Ordem Franciscana) em Fraternidade.
Que as bênçãos de Deus recaiam sobre todas os irmãos e irmãs e em nossas Fraternidades.
A Ele, louvor, honra e glória para sempre! Fraternalmente.

Jackson dos Santos Barbosa, OFS/JUFRA
Secretário Fraterno Nacional
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1 comentários:

Anônimo disse...

Olá,

Como todos os jovens eu ainda tenho problemas para decifrar minha vocação.
Sei que se escolhesse a clausura, decidiria ser uma Irmã Pobre.
Gostaria de obter mais informações sobre a 2ª Ordem Franciscana aqui no Brasil e também as da Itália.
Grata,
Lara de Paula Gomes
larinha.depaula@hotmail.com