Nos 21 E 22 de janeiro de 2012, ocorreu na cidade de Bananeiras/PB a visita nacional ao Regional da JUFRA da PB/RN, na ocasião da reunião de planejamento do Regional. Estiveram presentes os irmãos: Edilson Laurentino dos Santos (Secretário Fraterno Regional), Libiane Marinho Bernardino (Subsecretária de Formação), Elton Belarmino de Souza (Subsecretário de Comunicação), Wanessa da Silva Candido dos Santos (Subsecretária de DHJUPIC), João Batista Pessoa e Aguiar (Subsecretário de Arquivo). Presentes ainda os subsecretário (as) de distrito, Elson Matias Lima (1 Distrito), Felipe (2 Distrito), Joelma Souza (4 Distrito), Elizoete Cruz (5 distrito) e Renan Nogueira (7 Distrito).
O Nacional da JUFRA esteve representado pelo Secretário Fraterno, Alex Bastos e por Wigna Jales, Animadora Nacional. A reunião foi iniciada com a palavra do Secretário Regional dando as boas vindas, seguido da apresentação dos irmãos. Logo após, foi repassada a palavra para o Secretário Nacional, Alex Bastos que iniciou falando a importância da visita fraterna e logo depois fazendo a leitura e reflexão da carta de Guaratinguetá, “A Jufra que queremos ser”, momento oportuno para avaliar a caminhada e nossas ações no mundo. A JUFRA é um diferencial, a abertura para a mesma é uma adesão ao amor e a fraternidade universal. Na ocasião, foi feita a leitura de duas cartas enviadas pelo Frei Francisco Edson OFM (Assistente Espiritual para JUFRA) e do Frei Aureliano OFMCAP (Assistente Espiritual JUFRA/OFS), as mesmas proferiam palavras de incentivo ao regional.
Prosseguindo a reunião houve a elaboração do calendário de atividades para o ano de 2012, com visitas fraternas, encontros regionais e nacionais. Na noite do sábado, houve uma confraternização na casa do irmão Ivson Danilo de Souza, Ex-Secretário Fraterno do Regional. Na manhã do domingo participamos da Santa Missa, logo o café da manhã. Retomamos com a apresentação das finanças, houveram algumas sugestões e buscou-se formas de como trabalhar melhor este serviço. Logo depois, foi escolhido o tema a ser trabalhado nos ENCONJUFRAS.
Nesta terça, dia 10 de janeiro, a Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil, com seus 42 frades reunidos em Capítulo Provincial , elegeu os confrades que assumirão por este triênio a animação da Fraternidade Provincial, tendo sido eleito o seguinte Governo:
Ministro Provincial – Frei Marconi Lins de Araújo
Vigário Provincial – Frei Carlos Alberto Breis Pereira (Frei Beto)
Definidores: Frei José Gilton Rezende, Frei Gilmar Nascimento da Silva, Frei Francisco Robério Ferreira de Sousa, Frei Wellegton Jean Barbosa de Souza (Frei Jean), Frei José Teixeira Rodrigues (Frei Zezinho) e Frei Severiano Alves Barbosa.
Após a eleição, os frades Capitulares presentes no Convento de Santo Antônio de Lagoa Seca / PB, dirigiram-se à Igreja Conventual, onde o Ministro Provincial e seu Definitório teve sua eleição confirmada pelo Visitador Geral da Ordem e recebeu a bênção dos Noviços e os cumprimentos de todos os frades presentes, em sinal de reverência e obediência a estes irmãos aos quais foi confiada esta missão.
Dois membros do Secretariado Fraterno Nacional da JUFRA fizeram uma visita aos capitulares, o Subsecretário Nacional de Comunicação Social, Escrituração e Arquivo, Thiago Costa e a Animadora Fraterna Nacional da OFS, Wigna Jales. Os irmãos levaram uma carta escrita pelo Secretário Nacional
da JUFRA e Apostilhas de Formação de Novas Fraternidades que foram repassadas para os capitulares
conhecerem e ajudarem nas atividades da JUFRA. Os irmãos do nacional
também foram recebidos pelo Frei Osmar Gogolok, do Insituto de
Brasilologia da cidade de Mettinen na Alemanha, a quem foi doado um exemplar do Livro de Formação Básica da JUFRA e a Apostilha de Formação de Novas Fraternidades
Frei Zezinho, Wigna, Frei OSmar, Frei Wellington
Rezemos pela Província dos Frades
Menores que assumem sua missão no Nordeste do Brasil, entre os índios
Tiriyós no Pará e na Alemanha!
Frei Wellington Buarque, OFM
Assistente Espiritual Regional para JUFRA e OFS
Regional NE B1 - PE/AL
Como um dos atos concretos da 2º Jornada Franciscana pelos Direitos Humanos, a Fraternidade JUFRA das Chagas, de São Paulo-SP, participou no dia 08/12 do lançamento do Relatório "Direitos Humanos no Brasil-2011". Além dos irmãos e irmãs da Fraternidade de São Paulo-SP, o irmão Leonardo Augusto, Subsecretário Nacional da JUFRA para a Área Sudeste esteve presente no lançamento.
Segundo Maria Aparecida, jufrista integrante do Secretariado Regional da JUFRA do estado de São Paulo: “Nos discursos e homenagens no Lançamento do Relatório dos Direitos Humanos 2011, me inquietou o pedido de ajuda para a resistência indígena Guarani Kaiowá e seus mártires. Observando a luta desses indígenas que colocam em risco sua própria vida pela luta do seu território e cultura. Além da homenagem a D. Maria Augusta Capistrano, lutadora contra a ditadura militar e esposa de Davi Capistrano, dirigente do Partido Comunista Brasileiro, preso político desaparecido.”, disse.
O Relatório é produzido anualmente pela Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, e estará disponível aos jufristas dos Regionais da JUFRA do Brasil. Clique AQUI para obtê-lo.
No mês de dezembro do dia 1º ao dia 10, a Juventude Franciscana do Brasil realizou a 2º Jornada Franciscana pelos Direitos Humanos - Juventude e Justiça Sócio-Ambiental, a proposta desse ano era que as Fraternidades locais trabalhassem dentro do período proposto a temática da Campanha da Fraternidade 2011 "Fraternidade e Vida no Planeta"
E como ato concreto da Jornada, a Fraternidade JUFRA das Chagas participou de duas atividades: do Lançamento do Relatório Direitos Humanos no Brasil, que aconteceu no dia 8 de dezembro, no Teatro Anchieta – SESC Consolação e organizou uma palestra sobre questões sócio-ambientais, ministrada pelo convidado Walfredo Medeiros, no dia 9 de dezembro no Parque da Água Branca.
E em nosso retiro anual, que ocorreu nos dias 16, 17 e 18 de dezembro na Casa São Francisco, tivemos um momento de partilha e reflexão das experiências vividas durante a Jornada, onde cada irmão que participou das atividades compartilhou com os demais o que lhe foi mais significante.
Relato dos irmãos e irmãs:
"Certamente o mundo que vivemos hoje não é o mundo que queremos para as próximas gerações. O planete terra como conhecemos, com suas biodiversidades naturais e tudo o mais belo e perfeito que Deus criou, pede socorro. O homem usa e abusa, maltrata a criação que nos foi confiada, a casa que Nosso Pai Celestial fez com tanto carinho para que tomássemos conta e preservasse. Em uma magnífica palestra onde foram abordados temas ambientais com o irmão Walfredo Medeiros, no parque da Água Branca em uma tarde ensolarada e cheia da presença de Deus, onde compartilhamos e discutimos vários temas que envolvem nosso planeta e o meio ambiente como um todo. O palestrante, irmão Walfredo nos falou de assuntos de grande importância e significado para refletirmos e questionarmos o modo como vivemos e lidamos com a questão socio-ambiental e todo o sistema que abrange o mesmo. A mensagem que ficou marcada ao final desta empolgante conversa entre irmãos que somos, compartilhando o mesmo ideal foi a maneira como enxergamos, utilizamos e usufruímos de tudo o que nós é dado pelo Criador para a nossa sobrevivência e permanência num mundo egoísta e materialista, cuja as leis nem sempre são cumpridas e a falta de conscientização humana reflete o ambiente e o convívio em nossos cotidianos." (Jânio, sobre a Palestra ministrada por Walfredo Medeiros)
“A nossa palestra aconteceu de forma muito agradável e em um ambiente que não poderia ser mais propício no Parque da Água Branca, onde a manhã chuvosa deu espaço para uma tarde ensolarada. Nos encontramos as 14h30 com o palestrante Walfredo Medeiros, ele que é estudante do curso de Psicologia foi convidado para falar sobre temas sócio-ambientais por ter um grande envolvimento com causas ecológicas. Iniciamos a palestra com o Cântico das Criaturas, nossa conversa abordou diversos temas sobre questões sócio ambientais, como consumo consciente, agronegócio, desmatamento, reciclagem, sustentabilidade, agrotóxicos, alimentos transgênicos, exploração no trabalho e meios de produção, e todos foram apresentados de forma muito clara. E um dos temas sobre o qual conversamos, que me despertou um maior interesse, foi o tema “quais as soluções?”, e esta resposta está presente também na causa, o próprio ser humano, o ser humano que polui, que desmata e que explora, traz consigo a solução, pois mudando a nossa forma egoísta de habitar este planeta, quando pararmos de nós importarmos apenas com nossas futilidades pessoais e começarmos a nós importar com as necessidades e o bem estar de todos, viveremos em uma sociedade mais saudável, mais justa e mais fraterna. Mas não temos mais tempo de idealizarmos um mundo perfeito, temos que começar a agir agora, reciclando, economizando água, consumindo de forma consciente e procurando saber quais as origens dos produtos que compramos, se a madeira foi adquirida de forma legal, se não há exploração de trabalho..., é a nossa geração que tem que agir, pensar e fazer!!.” (Daniela Sabino, sobre a Palestra ministrada por Walfredo Medeiros)
O convidado Walfredo Medeiros mencionou em sua palestra o documentário “A História das Coisas”, este curto vídeo de 20 minutos apresenta de forma interessante e em uma linguagem simples todas as etapas do processo que vai desde a extração da matéria prima, produção, distribuição e ideologia publicitária, consumo, e por fim para onde quase tudo vai o lixo, e como esses fatores afetam o meio ambiente. Vale à pena assistir:
Daniela Sabino – São Paulo-SP
Subsecretária Local de Formação e DHJUPIC
Fraternidade JUFRA das Chagas
No dia 17 de dezembro de 20011 a Fraternidade Santa Clara, de Itambacuri-MG, realizou a manifestação silenciosa nas ruas da cidade em protesto, dando continuidade à segunda Jornada Franciscana, com o tema “Juventude e Justiça Sócio-Ambiental” e o Lema: “Quanto vale esse progre$$o?”.
No dia 30 do mesmo mês fizemos a alegria das crianças da comunidade Jamineque, periferia da cidade, com brinquedos para todas as crianças, há 5 anos consecutivos que a fraternidade reúne para doação de brinquedos a essas crianças carentes não só de brinquedos mais de carinho, abraços e atenção. Esse ano também fizemos algo mais diferente, entregamos todo mês para 3 famílias carentes uma cesta básica, antes era só no final de ano que entregávamos, com ajuda do Frei Anderson Teodoro, nosso assistente espiritual local, conseguimos entregar 6 cestas básicas.
Giseli Miranda - Itambacuri-MG
Sub Reg de DHJUPIC - Sudeste 1
Sub Local de Formação
No dia 11 de dezembro de 2011, na Ermida Santa Terezinha, onde se pode enxergar com total clareza a cidade de Bom Conselho – PE a Fraternidade Luz Clara se reúne, após uma caminhada descontraída, para refletir sobre a II Jornada Franciscana Nacional pelos Direitos Humanos, e com esta a oportunidade de refletir sobre os problemas sócio-ambientais que o município enfrenta como nos proporciona o Tema: “Justiça sócio-ambiental. Quanto vale esse Progre$$o?”.
Nesta ocasião também foi oportuna para fazermos da Jornada o pós-grito, e assim em momento de muita reflexão começando com uma oração, seguida de uma dinâmica onde cada irmão (ã) foi vendado com uma faixa vermelha, para lembrar aquele velho ditado: “A justiça é cega!”, como também na cor vermelha a representação de quantos defensores dos Direitos Humanos foram martirizados pelos senhores produtores e fornecedores do Agronegócio.
Logo em seguida duplas foram feitas para que estes refletissem e pensassem nos problemas sócio-ambientais que o município enfrenta, para redigir uma carta à ser entregue aos governos legislativo e executivo do mesmo, mostrando o que precisa ser mudado em favor da melhora dos Direitos Humanos. Segue em anexo a carta criada pra prestígio de todos.
Na certeza de dever cumprido relatamos essa nossa primeira de muitas Jornadas Franciscana Nacional pelos Direitos Humanos.
Priscylla Cavalcante - Bom Conselho-PE
Sub Reg Comunicação - Regional NE B1 (PE/AL)
Sub de DHJUPIC Local - Fraternidade Luz Clara
A Rede Vida de Televisão transmitirá a missa, do dia 06/01/2012, às 06
horas da manhã, diretamente do Convento
de Santo Antonio de Lagoa Seca - PB. Esta missa normalmente é
transmitida da Basílica de São Francisco das Chagas, Canindé - CE,
sempre na primeira sexta-feira de cada mês. Neste mês,
excepcionalmente, por conta da realização do Capíitulo Provincial, a missa será
transmitida daquele convento.
XLV Dia Mundial da Paz, dia 01 de janeiro de 2012.
EDUCAR OS JOVENS
PARA A JUSTIÇA E A PAZ
1. O INÍCIO DE UM NOVO ANO, dom de Deus à humanidade, induz-me a desejar
a todos, com grande confiança e estima, de modo especial que este tempo, que se
abre diante de nós, fique marcado concretamente pela justiça e a paz.
Com qual atitude devemos olhar para o novo ano? No salmo 130,
encontramos uma imagem muito bela. O salmista diz que o homem de fé aguarda pelo
Senhor « mais do que a sentinela pela aurora » (v. 6), aguarda por Ele com
firme esperança, porque sabe que trará luz, misericórdia, salvação. Esta
expectativa nasce da experiência do povo eleito, que reconhece ter sido educado
por Deus a olhar o mundo na sua verdade sem se deixar abater pelas tribulações.
Convido-vos a olhar o ano de 2012 com esta atitude confiante. É verdade que, no
ano que termina, cresceu o sentido de frustração por causa da crise que aflige
a sociedade, o mundo do trabalho e a economia; uma crise cujas raízes são
primariamente culturais e antropológicas. Quase parece que um manto de
escuridão teria descido sobre o nosso tempo, impedindo de ver com clareza a luz
do dia.
Mas, nesta escuridão, o coração do homem não cessa de aguardar pela
aurora de que fala o salmista. Esta expectativa mostra-se particularmente viva
e visível nos jovens; e é por isso que o meu pensamento se volta para eles,
considerando o contributo que podem e devem oferecer à sociedade. Queria, pois,
revestir a Mensagem para o XLV Dia Mundial da Paz duma perspectiva educativa: «
Educar os jovens para a justiça e a paz », convencido de que eles podem,
com o seu entusiasmo e idealismo, oferecer uma nova esperança ao mundo.
A minha Mensagem dirige-se também aos pais, às famílias, a todas as
componentes educativas, formadoras, bem como aos responsáveis nos diversos
âmbitos da vida religiosa, social, política, económica, cultural e mediática.
Prestar atenção ao mundo juvenil, saber escutá-lo e valorizá-lo para a
construção dum futuro de justiça e de paz não é só uma oportunidade mas um
dever primário de toda a sociedade.
Trata-se de comunicar aos jovens o apreço pelo valor positivo da vida,
suscitando neles o desejo de consumá-la ao serviço do Bem. Esta é uma tarefa,
na qual todos nós estamos, pessoalmente, comprometidos.
As preocupações manifestadas por muitos jovens nestes últimos tempos, em
várias regiões do mundo, exprimem o desejo de poder olhar para o futuro com
fundada esperança. Na hora actual, muitos são os aspectos que os trazem
apreensivos: o desejo de receber uma formação que os prepare de maneira mais
profunda para enfrentar a realidade, a dificuldade de formar uma família e
encontrar um emprego estável, a capacidade efectiva de intervir no mundo da
política, da cultura e da economia contribuindo para a construção duma
sociedade de rosto mais humano e solidário.
É importante que estes fermentos e o idealismo que encerram encontrem a
devida atenção em todas as componentes da sociedade. A Igreja olha para os
jovens com esperança, tem confiança neles e encoraja-os a procurarem a verdade,
a defenderem o bem comum, a possuírem perspectivas abertas sobre o mundo e
olhos capazes de ver « coisas novas » (Is 42, 9; 48, 6).
Os responsáveis da educação
2. A educação é a aventura mais fascinante e difícil da vida. Educar –
na sua etimologia latinaeducere – significa conduzir para fora de si
mesmo ao encontro da realidade, rumo a uma plenitude que faz crescer a pessoa.
Este processo alimenta-se do encontro de duas liberdades: a do adulto e a do
jovem. Isto exige a responsabilidade do discípulo, que deve estar disponível
para se deixar guiar no conhecimento da realidade, e a do educador, que deve
estar disposto a dar-se a si mesmo. Mas, para isso, não bastam meros
dispensadores de regras e informações; são necessárias testemunhas autênticas,
ou seja, testemunhas que saibam ver mais longe do que os outros, porque a sua
vida abraça espaços mais amplos. A testemunha é alguém que vive, primeiro, o
caminho que propõe.
E quais são os lugares onde amadurece uma verdadeira educação para a paz
e a justiça? Antes de mais nada, a família, já que os pais são os primeiros
educadores. A família é célula originária da sociedade. « É na família que os filhos
aprendem os valores humanos e cristãos que permitem uma convivência construtiva
e pacífica. É na família que aprendem a solidariedade entre as gerações, o
respeito pelas regras, o perdão e o acolhimento do outro ».[1] Esta é a primeira escola, onde se educa para a justiça e a
paz.
Vivemos num mundo em que a família e até a própria vida se vêem
constantemente ameaçadas e, não raro, destroçadas. Condições de trabalho
frequentemente pouco compatíveis com as responsabilidades familiares,
preocupações com o futuro, ritmos frenéticos de vida, emigração à procura dum
adequado sustentamento se não mesmo da pura sobrevivência, acabam por tornar
difícil a possibilidade de assegurar aos filhos um dos bens mais preciosos: a
presença dos pais; uma presença, que permita compartilhar de forma cada vez
mais profunda o caminho para se poder transmitir a experiência e as certezas
adquiridas com os anos – o que só se torna viável com o tempo passado juntos.
Queria aqui dizer aos pais para não desanimarem! Com o exemplo da sua vida,
induzam os filhos a colocar a esperança antes de tudo em Deus, o único de quem
surgem justiça e paz autênticas.
Quero dirigir-me também aos responsáveis das instituições com tarefas
educativas: Velem, com grande sentido de responsabilidade, por que seja
respeitada e valorizada em todas as circunstâncias a dignidade de cada pessoa.
Tenham a peito que cada jovem possa descobrir a sua própria vocação,
acompanhando-o para fazer frutificar os dons que o Senhor lhe concedeu.
Assegurem às famílias que os seus filhos não terão um caminho formativo em
contraste com a sua consciência e os seus princípios religiosos.
Possa cada ambiente educativo ser lugar de abertura ao transcendente e
aos outros; lugar de diálogo, coesão e escuta, onde o jovem se sinta valorizado
nas suas capacidades e riquezas interiores e aprenda a apreciar os irmãos.
Possa ensinar a saborear a alegria que deriva de viver dia após dia a caridade
e a compaixão para com o próximo e de participar activamente na construção duma
sociedade mais humana e fraterna.
Dirijo-me, depois, aos responsáveis políticos, pedindo-lhes que ajudem
concretamente as famílias e as instituições educativas a exercerem o seu
direito-dever de educar. Não deve jamais faltar um adequado apoio à maternidade
e à paternidade. Actuem de modo que a ninguém seja negado o acesso à instrução
e que as famílias possam escolher livremente as estruturas educativas
consideradas mais idóneas para o bem dos seus filhos. Esforcem-se por favorecer
a reunificação das famílias que estão separadas devido à necessidade de
encontrar meios de subsistência. Proporcionem aos jovens uma imagem
transparente da política, como verdadeiro serviço para o bem de todos.
Não posso deixar de fazer apelo ainda ao mundo dos media para que
prestem a sua contribuição educativa. Na sociedade actual, os meios de
comunicação de massa têm uma função particular: não só informam, mas também
formam o espírito dos seus destinatários e, consequentemente, podem concorrer
notavelmente para a educação dos jovens. É importante ter presente a ligação
estreitíssima que existe entre educação e comunicação: de facto, a educação
realiza-se por meio da comunicação, que influi positiva ou negativamente na
formação da pessoa.
Também os jovens devem ter a coragem de começar, eles mesmos, a viver
aquilo que pedem a quantos os rodeiam. Que tenham a força de fazer um uso bom e
consciente da liberdade, pois cabe-lhes em tudo isto uma grande
responsabilidade: são responsáveis pela sua própria educação e formação para a
justiça e a paz.
Educar para a verdade e a liberdade
3. Santo Agostinho perguntava-se: « Quid enim fortius desiderat anima
quam veritatem – que deseja o homem mais intensamente do que a verdade? ».[2] O rosto humano duma sociedade depende muito da
contribuição da educação para manter viva esta questão inevitável. De facto, a
educação diz respeito à formação integral da pessoa, incluindo a dimensão moral
e espiritual do seu ser, tendo em vista o seu fim último e o bem da sociedade a
que pertence. Por isso, a fim de educar para a verdade, é preciso antes de mais
nada saber que é a pessoa humana, conhecer a sua natureza. Olhando a realidade
que o rodeava, o salmista pôs-se a pensar: « Quando contemplo os céus, obra das
vossas mãos, a lua e as estrelas que Vós criastes: que é o homem para Vos
lembrardes dele, o filho do homem para com ele Vos preocupardes? » (Sal 8,
4-5). Esta é a pergunta fundamental que nos devemos colocar: Que é o homem?
O homem é um ser que traz no coração uma sede de infinito, uma sede de verdade
– não uma verdade parcial, mas capaz de explicar o sentido da vida –, porque
foi criado à imagem e semelhança de Deus. Assim, o facto de reconhecer com
gratidão a vida como dom inestimável leva a descobrir a dignidade profunda e a
inviolabilidade própria de cada pessoa. Por isso, a primeira educação consiste
em aprender a reconhecer no homem a imagem do Criador e, consequentemente, a
ter um profundo respeito por cada ser humano e ajudar os outros a realizarem
uma vida conforme a esta sublime dignidade. É preciso não esquecer jamais que «
o autêntico desenvolvimento do homem diz respeito unitariamente à totalidade da
pessoa em todas as suas dimensões »,[3] incluindo a transcendente, e que não se pode sacrificar a
pessoa para alcançar um bem particular, seja ele económico ou social,
individual ou colectivo.
Só na relação com Deus é que o homem compreende o significado da sua
liberdade, sendo tarefa da educação formar para a liberdade autêntica. Esta não
é a ausência de vínculos, nem o império do livre arbítrio; não é o absolutismo
do eu. Quando o homem se crê um ser absoluto, que não depende de nada nem de
ninguém e pode fazer tudo o que lhe apetece, acaba por contradizer a verdade do
seu ser e perder a sua liberdade. De facto, o homem é precisamente o contrário:
um ser relacional, que vive em relação com os outros e sobretudo com Deus. A
liberdade autêntica não pode jamais ser alcançada, afastando-se d’Ele.
A liberdade é um valor precioso, mas delicado: pode ser mal entendida e
usada mal. « Hoje um obstáculo particularmente insidioso à acção educativa é
constituído pela presença maciça, na nossa sociedade e cultura, daquele
relativismo que, nada reconhecendo como definitivo, deixa como última medida
somente o próprio eu com os seus desejos e, sob a aparência da liberdade,
torna-se para cada pessoa uma prisão, porque separa uns dos outros, reduzindo
cada um a permanecer fechado dentro do próprio “eu”. Dentro de um horizonte
relativista como este, não é possível, portanto, uma verdadeira educação: sem a
luz da verdade, mais cedo ou mais tarde cada pessoa está, de facto, condenada a
duvidar da bondade da sua própria vida e das relações que a constituem, da
validez do seu compromisso para construir com os outros algo em comum ».[4]
Por conseguinte o homem, para exercer a sua liberdade, deve superar o
horizonte relativista e conhecer a verdade sobre si próprio e a verdade acerca
do que é bem e do que é mal. No íntimo da consciência, o homem descobre uma lei
que não se impôs a si mesmo, mas à qual deve obedecer e cuja voz o chama a amar
e fazer o bem e a fugir do mal, a assumir a responsabilidade do bem cumprido e
do mal praticado.[5] Por isso o
exercício da liberdade está intimamente ligado com a lei moral natural, que tem
carácter universal, exprime a dignidade de cada pessoa, coloca a base dos seus
direitos e deveres fundamentais e, consequentemente, da convivência justa e
pacífica entre as pessoas.
Assim o recto uso da liberdade é um ponto central na promoção da justiça
e da paz, que exigem a cada um o respeito por si próprio e pelo outro, mesmo
possuindo um modo de ser e viver distante do meu. Desta atitude derivam os
elementos sem os quais paz e justiça permanecem palavras desprovidas de
conteúdo: a confiança recíproca, a capacidade de encetar um diálogo
construtivo, a possibilidade do perdão, que muitas vezes se quereria obter mas
sente-se dificuldade em conceder, a caridade mútua, a compaixão para com os
mais frágeis, e também a prontidão ao sacrifício.
Educar para a justiça
4. No nosso mundo, onde o valor da pessoa, da sua dignidade e dos seus
direitos, não obstante as proclamações de intentos, está seriamente ameaçado
pela tendência generalizada de recorrer exclusivamente aos critérios da
utilidade, do lucro e do ter, é importante não separar das suas raízes
transcendentes o conceito de justiça. De facto, a justiça não é uma simples
convenção humana, pois o que é justo determina-se originariamente não pela lei
positiva, mas pela identidade profunda do ser humano. É a visão integral do
homem que impede de cair numa concepção contratualista da justiça e permite
abrir também para ela o horizonte da solidariedade e do amor.[6]
Não podemos ignorar que certas correntes da cultura moderna, apoiadas em
princípios económicos racionalistas e individualistas, alienaram das suas
raízes transcendentes o conceito de justiça, separando-o da caridade e da
solidariedade. Ora « a “cidade do homem” não se move apenas por relações feitas
de direitos e de deveres, mas antes e sobretudo por relações de gratuidade,
misericórdia e comunhão. A caridade manifesta sempre, mesmo nas relações
humanas, o amor de Deus; dá valor teologal e salvífico a todo o empenho de
justiça no mundo ».[7]
« Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados » (Mt
5, 6). Serão saciados, porque têm fome e sede de relações justas com Deus,
consigo mesmo, com os seus irmãos e irmãs, com a criação inteira.
Educar para a paz
5. « A paz não é só ausência de guerra, nem se limita a assegurar o
equilíbrio das forças adversas. A paz não é possível na terra sem a salvaguarda
dos bens das pessoas, a livre comunicação entre os seres humanos, o respeito
pela dignidade das pessoas e dos povos e a prática assídua da fraternidade ».[8] A paz é fruto da justiça e efeito da caridade. É, antes de
mais nada, dom de Deus. Nós, os cristãos, acreditamos que a nossa verdadeira
paz é Cristo: n’Ele, na sua Cruz, Deus reconciliou consigo o mundo e destruiu
as barreiras que nos separavam uns dos outros (cf. Ef 2, 14-18); n’Ele,
há uma única família reconciliada no amor.
A paz, porém, não é apenas dom a ser recebido, mas obra a ser
construída. Para sermos verdadeiramente artífices de paz, devemos educar-nos
para a compaixão, a solidariedade, a colaboração, a fraternidade, ser activos
dentro da comunidade e solícitos em despertar as consciências para as questões
nacionais e internacionais e para a importância de procurar adequadas
modalidades de redistribuição da riqueza, de promoção do crescimento, de
cooperação para o desenvolvimento e de resolução dos conflitos. « Felizes os
pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus » – diz Jesus no sermão da
montanha (Mt 5, 9).
A paz para todos nasce da justiça de cada um, e ninguém pode subtrair-se
a este compromisso essencial de promover a justiça segundo as respectivas
competências e responsabilidades. De forma particular convido os jovens, que
conservam viva a tensão pelos ideais, a procurarem com paciência e tenacidade a
justiça e a paz e a cultivarem o gosto pelo que é justo e verdadeiro, mesmo
quando isso lhes possa exigir sacrifícios e obrigue a caminhar contracorrente.
Levantar os olhos para Deus
6. Perante o árduo desafio de percorrer os caminhos da justiça e da paz,
podemos ser tentados a interrogar-nos como o salmista: « Levanto os olhos para
os montes, de onde me virá o auxílio? » (Sal 121, 1).
A todos, particularmente aos jovens, quero bradar: « Não são as
ideologias que salvam o mundo, mas unicamente o voltar-se para o Deus vivo, que
é o nosso criador, o garante da nossa liberdade, o garante do que é deveras bom
e verdadeiro (…), o voltar-se sem reservas para Deus, que é a medida do que é
justo e, ao mesmo tempo, é o amor eterno. E que mais nos poderia salvar senão o
amor? ».[9] O amor rejubila com a verdade, é a força que torna capaz
de comprometer-se pela verdade, pela justiça, pela paz, porque tudo desculpa,
tudo crê, tudo espera, tudo suporta (cf. 1 Cor 13, 1-13).
Queridos jovens, vós sois um dom precioso para a sociedade. Diante das
dificuldades, não vos deixeis invadir pelo desânimo nem vos abandoneis a falsas
soluções, que frequentemente se apresentam como o caminho mais fácil para
superar os problemas. Não tenhais medo de vos empenhar, de enfrentar a fadiga e
o sacrifício, de optar por caminhos que requerem fidelidade e constância,
humildade e dedicação.
Vivei com confiança a vossa juventude e os anseios profundos que sentis
de felicidade, verdade, beleza e amor verdadeiro. Vivei intensamente esta fase
da vida, tão rica e cheia de entusiasmo.
Sabei que vós mesmos servis de exemplo e estímulo para os adultos, e
tanto mais o sereis quanto mais vos esforçardes por superar as injustiças e a
corrupção, quanto mais desejardes um futuro melhor e vos comprometerdes a
construí-lo. Cientes das vossas potencialidades, nunca vos fecheis em vós
próprios, mas trabalhai por um futuro mais luminoso para todos. Nunca vos
sintais sozinhos! A Igreja confia em vós, acompanha-vos, encoraja-vos e deseja
oferecer-vos o que tem de mais precioso: a possibilidade de levantar os olhos
para Deus, de encontrar Jesus Cristo – Ele que é a justiça e a paz.
Oh vós todos, homens e mulheres, que tendes a peito a causa da paz! Esta
não é um bem já alcançado mas uma meta, à qual todos e cada um deve aspirar.
Olhemos, pois, o futuro com maior esperança, encorajemo-nos mutuamente ao longo
do nosso caminho, trabalhemos para dar ao nosso mundo um rosto mais humano e
fraterno e sintamo-nos unidos na responsabilidade que temos para com as jovens
gerações, presentes e futuras, nomeadamente quanto à sua educação para se
tornarem pacíficas e pacificadoras! Apoiado em tal certeza, envio-vos estas
refl exões que se fazem apelo: Unamos as nossas forças espirituais, morais e
materiais, a fim de « educar os jovens para a justiça e a paz ».
[3] Bento XVI, Carta
enc. Caritas in veritate(29 de Junho de
2009), 11: AAS 101 (2009), 648; cf. Paulo VI, Carta enc. Populorum progressio(26 de Março de
1967), 14: AAS 59 (1967), 264.
A Fraternidade Santa Clara, da JUFRA de Zé Doca-MA, também participou da Jornada pelos Direitos Humanos, realizando uma roda de diálogo, que foi iniciada com uma oração refletindo sobre a Campanha da Fraternidade deste ano: “Fraternidade e Vida no Planeta”.
Logo após houve um momento de reflexão sobre algumas frases de autoria de pessoas que também se preocupavam com a vida do planeta. Em seguida houve um debate sobre o Meio Ambiente e foram apresentados algumas propostas de como nós poderíamos preservar a nossa irmã terra, e assim foi concluído a roda de diálogo com a participação dos irmãos e irmãs da Fraternidade.
Therlianes Santos - Bom Jardim-MA Sub Reg DHJUPIC - NE A1 (MA)